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O Führer tinha que decidir

O General Blumentritt, chefe de Estado-Maior de Von Rundstedt, comenta os preparativos realizados para enfrentar a invasão do continente e os momentos posteriores à mesma:

***

" A data da invasão era prevista para qualquer dia compreendido no período de maio a setembro de 1944, que era a estação em que o tempo se mostrava mais favorável. A zona ameaçada era o canal da mancha, pois constituía o caminha mais curto até a aberta e indefesa Renânia e porquê, mediante a uma investida nesse sentido, a zona de comando do Oeste, em sua totalidade, ficaria isolada da Alemanha, de um só golpe. Não se esperava que a invasão se efetuasse pela Holanda, já que, nesse país, o terreno se prestava muito pouco a movimentos em grande escala... Não estava fora das cogitações um desembarque na Normandia, embora executa-lo significasse alongar a duração das operações...

“Rundstedt, seu chefe de Estado-Maior e seu chefe de operações sustentavam o critério de que não era possível em absoluto, defender a costa sobre uma frente de quatro mil quilômetros, contando para isso com forças manifestamente insuficientes. O inimigo, concentrando seus poderosos recursos, conseguiria abrir caminho por qualquer ponto daquelas delicadas e rígidas posições litorâneas... Rommel defendia a opinião de que teríamos que defender a costa.

“Pouco antes da invasão , Rommel resumiu a situação na frente do seu grupo “B” da seguinte maneira: a rádio inglesa, que se mantivera em silêncio durante algum tempo, reativou suas atividades, a 30 de maio. No dia 1 de junho aumentaram as mensagens em código do inimigo, dirigidas à Resistência Francesa.

“A 6 de junho entre duas e três da manhã, o General Speidel informou pessoalmente que havia ocorrido saltos de para-quedistas e aterrissagens de planadores na península de Cotentin. O momento desses desembarques pelo ar foi entre 00:30 h e 01:30 h. Rundstedt não via mais nesses desembarques aéreos em grande escala uma série de ataques falsos. Pouco depois da meia noite de 5 de junho, Rommel fez soar o alarma na zona de acantonamento das divisões Panzers, a fim de que, ao receber a ordem correspondente, estivessem prontas para sair em direção de Caen e St. Lô, sem perda de tempo. Entre 02:30h e 03:30h da manhã enviou-se a todos os postos de comando um nova de Rundstedt. Este, sob a sua própria responsabilidade, ditou a seguinte ordem dirigida aos QGs das duas divisões da Wehrmacht:

‘Divisão SS Panzer no. 12, marche a mais depressa possível em direção a Lisieux. Divisão Panzer de instrução, preparada para empreender a marcha à voz de alerta. Ambas as divisões, ao entrarem no campo de operações, ficaram sob as ordens do grupo “B”’. Dessa forma, as unidades de vanguarda teriam podido entra em combate às oito da manhã e o grosso das divisões até o cair da tarde...

“A 6 de junho, entre 06:00h e 06:30h da madrugada, o grupo de exércitos B informou ao comando do oeste que o inimigo estava desembarcando, sobre uma larga frente, entre o Orne e o Vire. Esse desembarque foi precedido por um fogo muito violento de artilharia naval e de um forte bombardeio aéreo. Esse informe foi transmitido a todos os postos-de-comando e ao quartel-general da Wehrmacht. Quase ao mesmo tempo chegou a ordem do comando-supremo de deter a marcha das duas famosas divisões Panzer. A 12 Divisão Panzer SS podia continuar até Lisieux, porém não devia ir mais longe. A Divisão Panzer de instrução teria de ficar na sua posição anterior.

“O comando do oeste teve que agüentar uma verdadeira enxurrada de recriminações por se ter assumir, arbitrariamente, o comando dessas duas formações sem a aprovação do Führer.

“... Quando o chefe de operações informou ao quartel- general da Wehrmacht que o desembarque estava progredindo e rogou encarecidamente que lhe fosse permitido dispor das divisões Panzer, lhe responderam: ‘O senhor não está em condições de julgar acerca da realidade da situação...’

“O Führer tinha que decidir!”


A Estrátegia aliada

O general norte-americano Omar N. Bradley comentou assim a situação militar no continente, após a abertura da frente de invasão:

***

“Quando, a 6 de junho Hitler se inteirou em Salzbugo da invasão aliada, diz-se que manifestou a sua alegria, já que tinha certeza de que, antes de decorrida uma semana, Rommel nos teria castigado, afogando-nos na canal. Porém, já ao anoitecer de 12 de junho, havíamos festejado a primeira semana em terra sem que se houvesse produzido um só contra-ataque perigoso contra a cabeça de praia norte-americana.

“Unicamente os ingleses haviam sido alvo de ataques blindados enquanto avançavam contra Caen e novamente, quando procuravam estabelecer contato com Huebner , perto de Caumont. Entrementes, os alemães haviam aumentado a sua capacidade de luta, mediante reforços que concorreram de outras partes da França, especialmente nos centros de comunicações essenciais como Caen e St. Lô. Não obstante depois de uma semana de trabalhoso recolhimento de suas reservas, Rommel não havia conseguido concentrar uma potencia suficiente para preparar uma ofensiva contra as praias. Enquanto isso, nós havíamos já duplicado as forças em terra, e ao anoitecer de 12 de junho havia sido desembarcado na França um total de 16 divisões aliadas.

“Quando as fortificações de cimento abeira da água foram destruídas no primeiro dia, Rommel encontro dificuldades para achar as reservas que poderiam colocar um dique em nossa penetração. Devido a falta de infantaria, as três divisões blindadas que foram levadas com toda a rapidez para frente tiveram que ocupar posições defensivas, procurando salvar Caen mediante um esforço de ultima hora. Em virtude disso, quando Monty aumentou a pressão sobre aquela cidade, foi impossível a Rommel empregar esses tanques num contra-ataque sem correr o risco de que os ingleses efetuassem um rompimento nessa parte da frente. O Tanque é brutamente eficaz na guerra ofensiva. Na defesa são eficientes somente quando mantidos reunidos atrás da frente de combate para emprega-los num contra-ataque quando ocorrer um rompimento de infantaria ou de blindados.

“Desde o momento em que desembarcamos, Rommel se viu acossado pela carência de reservas suficientes de infantaria e artilharia. Além disso, cada unidade que chegava à frente da Normandia trazia as cicatrizes infligidas pelos ataques aéreos aliados durante o seu acidentado deslocamento através da França. Não obstante, embora aviação pudesse acossar essas reservas, não podia nem detê-las, nem aniquila-las. Todas as tardes, quando o sol se ocultava e os aviões de combate aliados regressavam às bases, o inimigo se punha em movimento pelos caminhos cobertos com a proteção da noite.

“Apesar das dificuldades que o inimigo encontrava para aumentar suas forças, não deixei de considerar a probabilidade de um potente contra-ataque e, por conseguinte, aumentavam minhas preocupações com referências a dois perturbadores pontos fracos existentes em nossas linhas. Cada um deles era marcado pela junturas tão precárias que incitam o inimigo a despedaça-las. Um desses pontos fracos estava no limite da faixa norte-americana e dos ingleses; o outro residia em Carentam, onde as praias OMAHA e UTAH haviam estabelecido contato.

“Sempre que dois exércitos aliados estabelecem contato, forma-se ali um ponto fraco que inimigo pode explorar prontamente, com bons resultados. Essa debilidade é resultante das dificuldades que costumam se apresentar para coordenação dos dois exércitos na defesa do setor. No ponto onde a nossa praia tocava a de Dempsey, a debilidade era demasiado evidente. A 1a. Divisão de Huebner havia-se lançado audaciosamente pelo bacage até Caumont, a 32 quilômetros ao sul da costa e organizara uma posição defensiva no ponto mais profundo da cabeça de praia aliada. Os ingleses, em troca, a esquerda de Huebner somente haviam avançado a metade da distancia, deixando a 1a. Divisão com a ala descoberta e exposta ante as tropas inimigas.


Entrevista Decisiva

Ante a difícil situação que atravessa as armas alemãs, O Marechal von Rundstedt manifestou a Hitler a necessidade de discutir pessoalmente com ele o curso dos acontecimentos. O Führer, aprovando o pedido, decidiu receber Rundstedt e Rommel no dia 17 de junho.

A reunião se realizou no quartel de Hitler, Rundstedt e Rommel, O marechal Keitel, o Coronel-General Jold, os dois chefes de Estado-Maior da chefia do oeste e do grupo de exércitos B e vários chefes e oficiais.
os três principais pontos da discussão foram:
I) Descrição da grave situação geral.
II) Pedido de Rundstedt de liberdade de ação no oeste.
III) Necessidade de negociar politicamente com os Aliados.

A respeito do primeiro ponto, Hitler fugiu a discussão, limitando-se a exibir fotos de novas armas e aviões que estariam em ação nos próximos meses.
A respeito do segundo, contra o que esperava, Hitler prometeu que se faria o que Rundstedt pedia.
O terceiro pedido foi ouvido em silencio. Mas tarde ao se concluir a reunião, enquanto Rommel caminhava para o carro sozinho com Hitler, chamou novamente a atenção deste acerca da gravidade da situação e insistiu sobre a necessidade referida anteriormente, Hitler se manifestou então contrario à iniciativa e declarou que os Aliados não aceitariam arranjos políticos, porque o extermínio da Alemanha fora decido por força de acordo com a Rússia, acordo do qual estava perfeitamente a par.


Fonte:
A Segunda Guerra Mundial - Fascículo 77
Editora Codex - 1965/66 - Buenos Aires - Argentina

Divisões Panzer - os punhos de aço
Autor: K.J. Mcksey
  Confiantes por já terem batido e exército alemão em 1918, os exércitos da Europa Ocidental voltaram à luta, contra seu antigo inimigo, em maio de 1940 - e em poucos dias estavam prostados diante de uma arma numericamente inferior, mas tecnicamente revolucionária as Divisões "Panzers"
Valor: R$ 25,00 + postagem
 
 
 
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