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Na grande guerra de 1914/18, houve um cessar-fogo na noite de Natal. Foi na França, ocupada pelos alemães. Franceses e seus aliados escoceses, mais os alemães, matavam-se nas trincheiras quando um casal de cantores líricos da Alemanha tomou a iniciativa de entoar canções natalinas, o que levou ao cessar-fogo que durou somente aquela noite, a do Natal de 1914. Inimigos abraçaram-se e confraternizaram. O caso - localizado - foi tratado, literalmente, como segredo de guerra. Revelado, deu origem ao filme de Christian Carion.

Uma obra antibelicista, Feliz Natal (Joyeux Noël), retoma com talento e sensibilidade a lição deixada pelo mestre francês Jean Renoir, de "A Grande Ilusão", realizada em 1937, preocupou na época os nazistas por conta da mensagem humanitária que subvertia os códigos de guerra, mas não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial.

Feliz Natal revive um episódio ocorrido às vésperas do Natal de 1914, nas trincheiras da Primeira Guerra. Pelotões franceses, alemães e escoceses, desafiando ordens superiores, decretam trégua na batalha sangrenta quando um soldado-tenor alemão começa a cantar e é acompanhado por gaitas de fole escocesas. Outros acontecimentos surpreendentes se sucedem, evocando a utopia de Renoir de um mundo unificado e sem barreiras pátrias e sociais.

No material de divulgação do filme, o diretor Christian Carion conta que se inspirou no livro Battles of Flanders and Artois - 1914-1918, de Yves Buffetaut, e em nenhum momento de seu texto de apresentação faz menção a A Grande Ilusão, o que é no mínimo muito estranho, pois há diversas semelhanças entre o filme de Renoir e o seu. Embora não abordem exatamente a mesma história, contextualmente se parecem muito. Se passam durante a Primeira Guerra, com cenas na noite de Natal. Em ambos, as diferenças sociais e religiosas são abolidas, e o homem se coloca como elemento desafiador do Estado.

Feliz Natal é um filme menos ambicioso politicamente do que A Grande Ilusão, mas o título um tanto simplório sugere uma daquelas produções natalinas água com açúcar, o que ele está longe de ser. Seu trunfo é tratar o absurdo da guerra com um humor delicado e poético, sem escorregar na caricatura cômica ou nas as armadilhas do melodrama fácil. O roteiro tem inúmeros pequenos achados, como a disputa por um gato vira-lata ou a cena em que os pelotões se juntam em uma só trincheira para bombardearem o outro lado, simulando um ataque sem vítimas. Nesse momento, a única coisa que incomoda os soldados é o barulho do bombardeio, reforçando a mensagem de que o mundo seria muito mais feliz se a guerra só afetasse os ouvidos...


FELIZ NATAL (Joyeux Noël)
França, 2005
Direção e Roteiro: CHRISTIAN CARION
Produção: CHRISTOPHE ROSSIGNON
Fotografia: WALTHER VANDEN ENDE
Edição: ANDREA SEDLACKOVA
Música: PHILIPPE ROMBI
Elenco: BENNO FÜRMANN, GUILLAUME CANET, GARY LEWIS, DANIEL BRÜHL, DIANE KRÜGER
Duração: 118 min.

texto: Por MARCELO JANOT
www.criticos.com.br

+ Valkyrie - (artigo nov/07)

Começou a ser rodado, no aeroporto de Tempelhof, na capital alemã, o novo filme protagonizado por Tom Cruise: Valquíria. O ator norte-americano interpreta o herói da "resistencia" alemão Claus von Stauffenberg, o homem que a 20 de Julho de 1944 tentou assassinar Adolf Hitler. Nos últimos dias, Berlim e Brandenburgo têm sido cenário de cenas desta grande produção, tal como a localidade de Klein-Köris, a 60 quilómetros da capital, onde foi construída uma réplica do esconderijo de Stauffenberg. Cruise queria filmar mais cenas no centro de Berlim, como por exemplo em Bendlerblock, local onde Claus von Stauffenberf foi executado, mas o Governo alemão não autorizou. O ministro da Defesa, Franz-Josef Jung, entende que filmar nos locais históricos daria mais autencidade ao filme, mas retiraria dignidade ao local.

 
Stauffenberg
Autor: Garry Graber
"Hitler está morto", afirmava Stauffenberg. "foi como se uma granada de 150mm houvesse explodido onde ele se encontrava, arrasando tudo. É impossível que alguém tenha sobrevivido."
Mas ele estava enganado: o "Führer" se encontrava bem vivo. O seu gesto foi, porém, tão bravo, que merecidamente o dia 20 de julho de 1944 passou a chamar-se o "Dia de Stauffenberg".
Valor: R$ 21,00 + postagem
OBS.: Livro fora de catálogo, semi-novo. A confirmar estoque.

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