'Valquíria'
conta a história de um atentado que podia
ter eliminado o 'Fuhrer'
Começou a ser rodado, no aeroporto de Tempelhof,
na capital alemã, o novo filme protagonizado
por Tom Cruise: Valquíria. O ator norte-americano
interpreta o herói da "resistencia"
alemão Claus von Stauffenberg, o homem
que a 20 de Julho de 1944 tentou assassinar Adolf
Hitler. Nos
últimos dias, Berlim e Brandenburgo têm
sido cenário de cenas desta grande produção,
tal como a localidade de Klein-Köris, a 60
quilómetros da capital, onde foi construída
uma réplica do esconderijo de Stauffenberg.
Cruise queria filmar mais cenas no centro de Berlim,
como por exemplo em Bendlerblock, local onde Claus
von Stauffenberf foi executado, mas o Governo
alemão não autorizou. O ministro
da Defesa, Franz-Josef Jung, entende que filmar
nos locais históricos daria mais autencidade
ao filme, mas retiraria dignidade ao local.
Mesmo
assim Valquíria - nome de código
do atentado ao Fuhrer - recebeu fundos no valor
de 4,8 milhões de euros do DFFF (Fundos
Federais Alemães para Filmes) que são
atribuídos a filmes que preencham dois
requisitos: ter um produtor alemão e
rodagem, mesmo se parcial, em território
alemão. Tom
Cruise não tem sido recebido de braços
abertos em Berlim e não é muito
apreciado na Alemanha por pertencer à
Igreja da Cientologia, desagrado que o filho
mais velho de Stauffenberg, Berthold, não
escondeu numa entrevista ao diário Sueddeutsche
Zeitung: "Não gosto da ideia de
um cientologista a intrepretar o meu pai."
Já
Florian Henckel von Donnersmarck, realizador
de A Vida dos Outros, critica o circo à
volta do filme e afima que o projeto devia ser
encarado como apenas mais uma oportunidade para
a Alemanha melhorar a sua imagem no exterior.A
rodagem no histórico aeroporto tem lugar
na Casa Columbia, local que os nazis usaram
em 1934 como prisão política e
centro de tortura, e onde esteve preso Eric
Honecker, aquele que viria a ser o homem forte
da ex-RDA (Alemanha de Leste). Na época,
o aeroporto de Tempelhof estava destinado ser
a porta do "Vitorioso III Reich" -
a Germania idealizada por Adolf Hitler e pelo
seu arquitecto, Albert Speer - mas os planos
falharam com a derrota dos alemães na
II Guerra Mundial. O
filme é realizado por Bryan Singer, com
argumento de sua autoria e de Christopher Mc
Quarrie.
Valkyrie
recria a Operação Valquíria,
malograda conjuração para assassinar
Hitler em 1944. Não é assunto
tabu, nem sequer controverso, na Alemanha, desde
pelo menos 1955, quando G.W. Pabst filmou Aconteceu
em 20 de Julho, com o cineasta Bernhard Wicki
no papel do coronel-conde Claus Schenk von Stauffenberg,
autor do atentado a bomba contra o Führer.
Em 2004, duas produções alemãs
celebraram os 60 anos da conspiração:
um docudrama (Die Stunde der Offiziere, de Hans-Erich
Viet) e um longa de ficção (Stauffenberg,
de Jo Baier, com Sebastian Joch).
Para
encarnar Stauffenberg, Cruise terá de
cobrir a vista esquerda com um tapa-olho, fingir
que não tem a mão direita nem
dois dedos da mão esquerda. Era assim
aos 36 anos o culto, elegante e aristocrático
coronel alemão, mutilado durante a campanha
no norte da África, comandada pelo legendário
marechal Rommel, a "Raposa do Deserto",
também envolvido no complô contra
Hitler.
Stauffenberg
sonhava com dar cabo de Hitler desde 1942. Infiltrado
no núcleo decisório do Reich,
escondeu uma bomba na "Toca do Lobo",
debaixo da mesa onde o Führer examinava
alguns mapas, mas a explosão só
feriu gravemente quatro dos 23 oficiais presentes.
Protegido pelo grosso tampo da mesa, o alvo
do atentado escapou praticamente ileso. Fazia
duas semanas que as forças aliadas haviam
invadido a Normandia; Hitler só teria
mais 284 dias de vida - o suficiente, contudo,
para vingar-se dos "traidores". Ao
longo de oito meses, os conjurados e seus parentes
foram impiedosamente perseguidos e massacrados.
Até uma criança de 3 anos e um
velho de 85, pai de um primo de Stauffenberg,
foram presos e executados.
Cruise
poderia filmar Valkyrie na Polônia, já
que a cidade, Rastenburg, em cujo bosque ficava
o bunker nazista onde se deu o atentado, voltou
a ser polonesa depois da 2ª Guerra, não
mais com o nome de Rastembork, mas Ketrzyn.
Resta apurar se os gêmeos Lech e Jaroslaw
Kaczynski, presidente e primeiro-ministro da
Polônia, nada têm contra a Cientologia.
Em
princípio, não deveriam ter. A
liberdade religiosa é plena na terra
de João Paulo 2º. Ocorre que a Cientologia
não é mesmo uma religião,
e sim um "culto caça-níqueis",
um novo bezerro de ouro (US$ 30 mil o custo
total de seu curso ou noviciado) cevado com
as idéias dianoéticas de L. Ron
Hubbard, autor de ficção-científica
com veleidades paranormais, que morreu em 1986,
aos 75 anos. Sua receita, pretensamente científica,
para tudo curar sem remédios - substituídos,
assim como os médicos e psicanalistas,
por um processo de purificação
espiritual -, fanatizou milhões de criaturas
sugestionáveis, sobretudo nos EUA; com
mais facilidade, é claro, na Califórnia,
a Canaã das vigarices devocionistas.
Fontes:
Yahoo! Notícias
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Deutsche Welle
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