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MP44 (STG 44)
Comprimento: 940 mm
Peso: 5,1 kg
Cano: 420 mm
Calibre: 7,92 mm
Raiamento: 4 raias
Funcionamento: gás
Alimentação: carregador de 30 tiros
Velocidade inicial: 647 m/s
Cadência (teórica),de tiro: 500 disparos/min,
Alcance de utilização: 800 m

A maior parte dos paíse envolvido na Segunda Guerra Mundial, entraram com fuzis de modelo e capacidade semelhantes. Os alemães usaram principalmente o mosquetão KAR 98K, versão encurtada de seu fuzil modelo 1898, amplamente testado. Os franceses tinham seu MAS 1936, e os soviéticos, o M1891/30. Já os americanos estavam totalmente equipados com um fuzil de carregamento automático, o 300M1 (Garand) de 7,62 mm, e uma carabina de mesmo calibre, que disparava um cartucho muito mais leve.

A Segunda Guerra Mundial também viu a rápida ascensão da submetralhadora (ou metralhadora de mão), evolução natural da carabina leve automática que disparava munição de pistola. A tendência geral, para aumentar o volume de fogo da infantaria, consistiu em espalhar algumas metralhadoras em meio aos fuzis. Tornava-se claro que o aumento do número de armas de apoio reduzia a necessidade do tradicional fuzil de longo alcance.

A experiência da Primeira Guerra Mundial levou os alemães a concluírem que, no futuro, o soldado de infantaria deveria ter uma arma mais leve que o fuzil-padrão. O trabalho nesse projeto começou antes da guerra, e em 1941 eles dispunham de um cartucho intermediário adequado para uma arma do tipo proposto. Depois, dessa constatação, os esforços voltaram-se para a produção de uma arma intermediária, que se poderia descrever como uma submetralhadora mais "quente", apta a preencher as funções de apoio e de alcance. Mais tarde, essas armas tornaram-se conhecidas como "fuzis de assalto". Com seu excelente FG 42, introduzido em 1942, o Fallschirmjagergewehr ("arma de pára-quedista") foi uma dos primeiros fuzis de assalto. Sua principal desvantagem residia na utilização do cartucho normal de fuzil, muito potente para ele, embora os alemães obtivessem algum sucesso com cartuchos intermediários. A despeito disso, mostrou-se uma excelente arma. Disparava tiros isolados ou rajadas. Foi seguido, após algumas experiências, pelo MG 44, outra ótima arma, projetada para disparar munição intermediária entre o cartucho de pistola de 9 mm e o cartucho padrão de fuzil. Surpreendentemente, essa munição não parece ter sido considerada para o FG 42.

Em vez disso, algumas armas foram projetadas para o cartucho intermediário; em 1942, haviam se reduzido a duas, uma Haenel e outra Walther, ambas descritas como carabinas automáticas. A versão Haenel foi modifica por Schmeisser em 1943, à luz da experiência em combate real, tornando-se a MP 43.

A nova arma, operada a gás por meio de um êmbolo que se movia num cilindro em cima do cano, alcançou sucesso. No fim de 1943, o Exército alemão já recebera 14.000 exemplares. A idéia a longo prazo seria tornar a MP 43 uma arma universal de esquadrão ou seção, em substituição aos fuzis, submetralhadoras e metralhadoras leves. No entanto, a produção declinou com rapidez após os primeiros meses de 1944, e o novo conceito nunca foi realizado. Houve variações em relação ao modelo-padrão, notadamente uma MP 43 (1), que tinha um dispositivo para lançar granadas, mas nenhuma alteração significativa. Em 1944, a designação foi alterada para MP 44. No final do ano, a arma recebeu o título adicional de "Sturm-Gewehr" ("fuzil de assalto"). Diz-se que a expressão foi forjada pelo próprio Hitler; seja verdade ou não, tratava-se de uma descrição bastante boa, e que a partir dessa época se generalizou.

O infante equipado com ela tinha a cadência de fogo de uma submetralhadora somada à potência e alcance de um fuzil de ferrolho. O desenho “ogival” do projétil, somado potência, eliminavam grande parte dos problemas de estabilidade e precisão observados nas submetralhadoras, permitindo manter, sem grandes alteração de peso – a KAR98K pesava cerca de 4 quilos, no StG o peso, com o carregador de 30 cargas subia a pouco mais de 5 quilos. Este, entretanto, era significativamente mais curto do que o fuzil de ferrolho, e dotado de uma ergonomia que permitia e facilitava o disparo em movimento: é significativo o fato de que os StG44 não dispunham de bipé.

É claro que a arma tinha problemas: ainda era considerada um tanto pesada e os infantes reclamavam do fato de que o longo carregador tornava problemático o disparo deitado. Curiosamente, embora considerada pesada, a fabricação quase totalmente feita em metal estampado e plástico a tornava relativamente frágil para as condições de campanha; outra reclamação constante entre os usuários era o excesso de saliências, que a tornava difícil de carregar tanto em descanso de ombro quanto “à bandoleira” (pendurada nas costas através da correia).

Calcula-se que pouco mais de 500.000 StGs tenham sido fabricados, entre 1944 e 1945. Os MKb42 e StG44, ainda escondidos sob a notação de submetralhadora, já estavam disponíveis em meados de 1944, em números bastante limitados, geralmente encaminhados à Frente Oriental, e suficientes apenas para a infantaria das divisões blindadas de elite do exército e da Waffen-SS. Mesmo assim, alguns exemplares foram encontrados nas operações que se seguiram à invasão da Normandia. No final daquele ano, entretanto, a produção da nova arma aumentou em níveis que vieram a permitir distribuição em escala mais ampla.

Durante a contra-ofensiva das Ardenas, quantidade razoável de infantes já dispunha de fuzis de assalto, incluíndo algumas de Volksgrenadier, recentemente formadas e que, depois da “operação Valquíria”, gozavam da confiança do partido nazista. No fim da guerra, as operações em torno de Berlim, comandada pelo general-de-exército Waffen-SS Steiner, viram violentos combates nos quais os infantes alemães estavam armados extensivamente com StG 44. Relatórios feitos tanto pelos aliados quanto pelos russos indicam que um dos motivos que permitiram a unidades alemãs largamente inferiorizadas em números combater com certo sucesso foi a superioridade de fogo dada a eles pelo fuzil de assalto. O maior alcance e peso de fogo da arma combinados com precisão comparável à dos fuzis de ferrolho davam ao infante alemão superioridade tanto em campo aberto quanto em áreas fechadas – as cidades arruinadas da Alemanha. Em certas situações, a arma mostrou poder funcionar inclusive metralhadora ligeira para prover cobertura próxima à infantaria.

Entretanto, na situação caótica dos meses finais da guerra, grandes estoques da nova arma não alcançaram a frente de batalha ou, quando alcançavam não podiam ser utilizados por falta de munição.

Exibição do MP 43 para oficiais da Wehrmacht

Os soviéticos perceberam o valor intrínseco do volume de fogo, particularmente se pudesse partir de armas simples e de soldados sem muito treinamento. Por isso, na Segunda Guerra Mundial equiparam batalhões inteiros com submetralhadoras. Ainda que eficazes, essas armas sofriam de sérias limitações de alcance; os soviéticos rapidamente concluíram que a desvantagem poderia ser compensada pelo uso de um fuzil de assalto, em substituição à submetralhadora. Eles ficaram impressionados com o MP 44 alemão e, assim que a guerra acabou, lançaram-se ao desenvolvimento de uma arma similar - um projeto em que, quase com certeza, tiveram a ajuda de técnicos e engenheiros alemães. O AK 47, baseado bastante no fuzil alemão entrou oficialmente em serviço em 1951 pelo exército soviético. O mesmo fizeram os americanos com sua linha Colt Armalite.
Nos anos seguintes surgiriam o FN Herstal, belga (adotado nos anos 60 pelo exército brasileiro), o Heckler-Koch G3 (adotado no final dos anos 60 pela infantaria da FAB) e o M14 (até hoje usado como arma de parada pelos aspirantes a oficial da Escola Naval).

Fonte:
Modernas Armas Leves
Titulo Original - Modern Small Arms
Autor: Major Frederick Myatt - Oficial do Royal Berkshire Regimento
Editora Globo S.A. © 1987

http://jbitten.wordpress.com/
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