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Em 5 de junho de 1944, a Divisão Hitlerjugend
fora destacada para um setor a oeste de Paris e ao sul
de Rouen, com seu QG divisional na localidade de Acon.
A divisão incorporava um regimento panzer constituído
de dois batalhões, um equipado com carros de
combate Panther, e outro, com Panzer IV; um batalhão
anticarro; dois regimentos de granadeiros panzer, cada
um com três batalhões; um regimento de
artilharia; um regimento antiaéreo e varias unidades
de apoio.
No Dia D, faltavam ao regimento panzer 36 dos seus
186 carros de combate. O efetivo estava ligeiramente
acima do normal: 20.540 homens,entre todas as patentes.
No entanto, faltavam 144 oficiais, de seu total autorizado
de 664. A denominação de "Hitlerjugend"
dada à 12.ª Divisão Panzer da SS
não era casual; a unidade compunha-se de soldados
extremamente jovens, doutrinados até o fanatismo
nas concepções nacional socialistas. No
1.° Batalhão do 25.º Regimento de Granadeiros
Panzer, nada menos que 65% dos homens tinham menos de
dezoito anos, e só 3% - oficiais e sargentos,
em sua enorme maioria - ultrapassavam os 25 anos de
idade. Os rapazes veneravam seus comandantes, líderes
exigentes como Max Wünsche e Kurt Meyer (conhecido
como "Panzermeyer"). Com eles, os recrutas
da Hitlerjugend haviam aprendido a ser lutadores - mais
do que simples soldados. Cultivavam a obediência,
a dureza, a solidariedade do grupo e a crença
de que a palavra "impossível" não
existia. Como em outras divisões de elite da
Waffen SS, a agressividade no ataque e
contra-ataque fora cuidadosamente incorporada. Mesmo
antes de seu batismo de fogo, a Hitlerjugend caracterizava-se
por uma determinação a toda prova, combinada
com fanatismo e espírito de sacrifício
Na manhã de 6 de junho, a Divisão Hitlerjugend
foi transferida da reserva e colocada à disposição
de Rommel, comandante do Grupo B de Exércitos.
Recebeu ordens para se reunir a leste de Lisieux, onde
se juntaria ao 7.° Exército: os alemães
mobilizavam todas as tropas disponíveis, na tentativa
de esmagar a cabeça-de-ponte aliada. A Hitlerjugend
teve de ser dividida para o transporte. As 10h do dia
6 partiram os dois batalhões de carros de combate,
juntamente com os dois regimentos de granadeiros (o
25.° e o 26.° SS Panzergrenadier Regiment).
Alguns elementos da Hitlerjugend atingiram a região
de Lisieux por volta das 15h. Logo em seguida, porém,
receberam ordem de se reagrupar a oeste de Caen para
participar de um contra-ataque a tropas canadenses.
Nas 24 horas seguintes, chegaram as diversas unidades
da divisão. Sem cobertura aérea suficiente,
as forças alemãs que se reagrupavam eram
submetidas a violentos ataques de foguetes e canhões
dos Hawker Typhoons da RAF, em vôos rasantes.
O castigo exigia dos jovens soldados, e em seu limite
máximo, a férrea disciplina e o autocontrole
adquiridos em meses de rígido treinamento - e
o ataque só cessou ao escurecer, quando os caças-bombardeiros
suspenderam seus vôos. Informações
precisas sobre os movimentos do inimigo eram escassas
e os rumores se alastravam como fogo por um rastilho,
mas mesmo assim o ânimo se manteve elevado. As
companhias de granadeiros correram para suas posições,
cavando trincheiras e abrigos, enquanto as guarnições
anticarro arrastavam suas armas pesadas para a linha
de tiro. Ergueram-se redes de camuflagem e, ao alvorecer,
os soldados exaustos puderam dormir um pouco.
O 2.° Batalhão do 12.° Regimento Panzer
só chegou na manhã de 7 de junho, com
apenas cinqüenta carros de combate. No 1.°
Batalhão, o quadro era ainda mais crítico:
por falta de gasolina, seus Panther haviam sido deixados
na margem leste do rio Orne. Assim, o Grupo B de Exércitos,
em vez de mobilizar toda a Divisão Hitlerjugend
para o contra-ataque, reuniu apenas um Kampfgruppe (grupo
de combate), sob o comando de Kurt "Panzermeyer".
A despeito das perdas de homens e material, as unidades
da Hitlerjugend e da 21.ª Divisão Panzer
constituíam as únicas forças alemãs
capazes de contra-atacar a oeste de Caen.
A fúria da investida alemã
obrigou os canadenses a recuar.
As ordens transmitidas à Divisão Hitlerjugend,
para a manhã de 7 de junho, tinham como objetivo
final o domínio das praias: os homens deveriam
sustentar o ataque até que o inimigo fosse empurrado
para o mar. As ordens pessoais de "Panzermeyer"
eram bem mais realistas. Ele parece ter decidido tomar
uma posição de cobertura, protegendo Caen,
e esperar a chegada de reforços. O comandante
dispôs os três batalhões de granadeiros
em linha, com duas companhias de carros de combate atrás
de cada flanco, e deslocou seu apoio de artilharia para
a retaguarda, preparando uma emboscada para os canadenses
que avançavam a partir da cabeça-de-praia.
Em seguida, subiu até o lado da torre da abadia
de Ardenne, de onde podia ver toda a região.
Kurt Meyer observou o avanço canadense se desdobrar
e ouviu os relatórios aliados, pelo rádio,
sobre o movimento dos carros de combate. Os tanquistas
subiram em seus panzers. Via-se em seus rostos expectativa
pela batalha, quando baixavam nas torres pintadas com
o nome de namoradas.
E, então, esperaram. Meses de treinamento incutiram-lhes
a necessidade crucial de conter o fogo até que
pudessem engajar-se decisivamente na luta. Na torre
da abadia, Meyer calculava o melhor momento para atacar.
Os canadenses avançaram por Franqueville, dirigindo-se
para o campo de pouso de Caen. Quando 80m separavam
os carros de combate aliados da linha de frente da emboscada
alemã, ele deu sinal para avançar. Os
panzer Mark IV e a infantaria emergiram dos esconderijos,
cortando o flanco canadense, enquanto, à queima-roupa,
as bem escondidas guarnições anticarro
despejavam seus obuses contra os tanques Stuart. A fúria
do contra-ataque obrigou os veteranos canadenses a recuar;
os panzer, os granadeiros e a artilharia operavam em
perfeito entrosamento, e em poucas horas as aldeias
de Authie e Franqueville retornaram ao controle dos
alemães.
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Kurt "Panzermeyer" alegou, mais tarde, que
a falta de combustível e munição
interrompeu sua "corrida para o mar". Na verdade,
os Mark IV foram detidos por uma densa barragem de artilharia
e pela firme resistência das tropas canadenses,
submetidas a enorme desgaste: trezentas baixas e trinta
carros Stuart destruídos. O Contra-ataque alemão
não chegou a ameaçar a cabeça-de-praia,
mas evitou que os canadenses atingissem o importante
campo de pouso em Carpiquet.
Em sua primeira batalha, a Hitlerjugend lutou com bravura
e determinação que impressionaram profundamente
os canadenses. Mas também sofreu pesadas baixas:
cerca de duzentos homens e seis Mark IV. Emil Werner,
oficial do 26.° Regimento de Granadeiros Panzer,
descreveu os violentos combates de 7 de junho: "Até
Cambes, tudo correu bem. No que se referia a nós,
a aldeia parecia em ordem. Mas, nos arrabaldes, ficamos
sob fogo de infantaria, e então foi um inferno.
Atacamos uma igreja onde franco-atiradores tinham se
posicionado. Foi aí que avistei o primeiro homem
morto de nossa companhia: o granadeiro Ruehl, do pelotão
do quartel-general. Virei seu corpo - levara um tiro
na cabeça. Era o segundo membro de nossa companhia
a morrer . Vários outros companheiros morreram
e nós não tínhamos ainda encontrado
nem um inglês. Então a situação
ficou crítica. Meu comandante de seção
foi ferido no braço e precisou ir para a retaguarda.
O granadeiro Grosse saltou a meu lado e correu para
alguns arbustos com sua submetralhadora engatilhada,
gritando: 'Hands up! Hands upl!' Dois ingleses apareceram
com as mãos levantadas. Pelo que sei, Grosse
ganhou a Cruz de Ferro por isto".
Em 8 de junho, chegou afinal uma companhia de carros
de combate Panther, do 1° Batalhão. Juntamente
com alguns granadeiros, desfecharam um ataque noturno
ao longo da estrada Caen-Bayeux. Os panzer se moveram
em cunha, com os granadeiros precariamente agarrados
atrás de suas torres. Como sempre, Kurt Meyer
liderava, em sua motocicleta, o avanço da companhia
de reconhecimento. A meia-noite, os alemães chegaram
à aldeia de Rots; depois de algumas horas de
uma luta confusa, em que a Hitlerjugend perdeu seis
Panther, Meyer retirou sua força. O ataque foi
empreendido com a coragem e decisão evidenciadas
no dia 7, mas parecia haver pouco controle tático.
Segundo observadores canadenses, a Hitlerjugend não
soube explorar a posição insatisfatória
do adversário.
Para 10 de junho, o comando alemão havia planejado
uma grande ofensiva contra a cabeça-de-praia,
da qual deveria participar a Hitlerjugend. Mas o ataque
nunca se realizou, porque os aliados tomaram a iniciativa
pelo flanco esquerdo contra a Divisão Panzer
Lehr. No dia 16 de junho, o QG divisional da Hitlerjugend,
situado a 27 km a sudoeste de Caen, ficou sob fogo pesado
de obuses navais. O SS Brigadeführer (major-general)
Fritz Witt, da Panzer Lehr, foi morto com vários
de seus oficiais e o comando passou a Kurt Meyer. A
Divisão Hitlerjugend fora subdividida e deslocada
para o norte e oeste de Caen, e já sofria grandes
perdas, além da falta de gasolina, munição
e equipamento. Ao norte de Caen, os panzer da Hitlerjugend
estavam apoiando unidades enfraquecidas, como a 16.ª
Divisão de Campo da Luftwaffe. O campo de pouso
de Carpiquet era defendido por uma bateria antiaérea
da Hitlerjugend, além de elementos do 1.º
Batalhão do 26.º Regimento de Granadeiros
Panzer e cerca de quinze carros de combate.
Em 4 de julho, a 3.ª Divisão canadense
lançou-se ao ataque, com o objetivo de capturar
a aldeia de Carpiquet e o campo de pouso. Uma forte
descarga de artilharia causou pesadas baixas à
vanguarda canadense. Em seguida, estabeleceu-se intenso
combate entre dois batalhões da infantaria canadense
e os cinqüenta granadeiros panzer que defendiam
a aldeia. A noite, os atacantes tinham capturado a aldeia
de Carpiquet e o extremo norte do campo de pouso, mas
os alemães controlavam o extremo sul. Apesar
de exaustos, somente a falta de infantaria os impediu
de fazer novos contra-ataques.
Entre 4 e 9 de julho, a Divisão Hitlerjugend
foi uma das pedras angulares da defesa alemã
em Caen, contra o ataque do 1.° Corpo de Exércitos
britânico. Um pesado ataque aéreo sobre
Caen causou poucas baixas entre os alemães. Para
os combatentes da Hitlerjugend, porém, significou
a destruição de preciosos estoques de
comida, munição e gasolina. Sob a liderança
de Kurt Meyer, a divisão resistiu obstinadamente
ao avanço britânico. Ele tentou evitar
que os canadenses capturassem a aldeia de Buron, ao
norte de Caen, e chegou a imobiliza-los com os poucos
blindados e granadeiros de que dispunha, mas a desproporção
de forças era demasiado grande. No dia 9, os
aliados controlavam boa parte de Caen, embora os subúrbios,
ao sul, permanecessem em poder dos alemães.
Depois de 9 de julho, a Hitlerjugend tornara-se uma
sombra de sua força original. O efetivo de infantaria
não ultrapassava um batalhão, e restavam
somente 65 dos 150 carros de combate inicialmente fornecidos.
O total de baixas, a partir do Dia D, chegava a 60%:
20% mortos e 40% feridos. As substituições
foram de apenas algumas centenas de homens. Com tudo
isso, os rapazes inexperientes de 6 de junho transformaram-se
em duros veteranos.
Sujos de sangue, cobertos de terra, os combatentes
da Hitlerjugend
contiveram os anglo-americanos.
A natureza dos combates em Caen, para a Divisão
Hitlerjugend, pode ser percebida no trecho de um artigo,
um tanto bombástico, escrito por um correspondente
de guerra da SS para o periódico Leitheft: "Milhares
de aviões, o fogo intenso das baterias e ataques
maciços de tanques os martelavam com bombas e
abuses. A terra tremia com as explosões incessantes.
Mas a fé era o apoio mais forte da coragem. Sujos
de sangue, cobertos de terra, soluçando e lutando
teimosamente, esses jovens conseguiram deter os anglo-americanos".
Mais a oeste de Caen, travou-se uma sangrenta batalha
de atrito entre ingleses e alemães, pela posição-chave
da colina 112, conhecida pelos canadenses como "colina
do Calvário". Elementos da Hitlerjugend
estiveram na defesa da colina 112. O soldado Zimmer
anotou em seu diário o que significou enfrentar
o ataque britânico de 10 de julho: "Das 6h30
às 8h, fogo pesado de metralhadoras. Então
vieram os ataques dos Tommies [o tradicional apelido
dos soldados britânicos], com grandes massas de
infantaria e muitos tanques. Lutamos tanto quanto possível;
embora numa posição insustentável.
Quando os sobreviventes tentaram retirar-se, verificamos
que estávamos cercados".
Em 11 de julho, a Divisão Hitlerjugend seguiu
da linha de frente em direção à
região de Potigny, 30 km ao norte de Falaise,
para repouso e reequipamento. Uma semana depois foi
convocada, às pressas, para ajudar a deter a
Operação Goodwood um ataque britânico
em grande escala dirigido contra as posições
alemãs em Caen. A unidade estava agora dividida
em dois grupos de combate, o Kampfgruppe Krause e o
Kampfgruppe Waldmüller, com uma força combinada
de cerca de cinqüenta carros de combate. Nas três
semanas seguintes, estes grupos constituíram
a espinha dorsal das defesas alemãs, ao sul de
Caen. Mas podiam apenas adiar o fim inevitável:
toda a posição alemã na Normandia
estava esmorecendo, sob os sucessivos ataques aliados.
No dia 25 de julho, o general Bradley, comandante do
1.° Exército americano, lançou a Operação
Cobra, atacando a partir de Saint Lô, rumo ao
flanco esquerdo alemão - uma investida que faria
cair por terra a frente alemã, no oeste da Normandia.
Em 30 de julho, o tenente-general Sir Miles Dempsey,
comandante do 2.° Exército britânico,
atacou o 7.° Exército alemão, na Operação
Bluecoat. A Hitlerjugend ocupava posições
ao norte de Falaise quando, em 7 de agosto, o 1.°
Exército canadense lançou a Operação
Totalise, destinada a romper as linhas ao sul de Caen.
Seiscentos tanques lançaram-se contra os cinqüenta
blindados dos Kampfgruppen.
As qualidades militares da divisão, combinadas
com a forte personalidade e agressiva liderança
de Kurt "Panzermeyer", impediram os aliados
de romper as posições alemãs. A
ofensiva canadense foi precedida por um ataque aéreo
maciço, que desmoralizou as duas divisões
de infantaria que apoiavam os panzer. Kurt Meyer relata
o que se passou, quando fazia um reconhecimento na linha
de frente: "Diante de mim, recuando pela estrada
Caen-Falaise, estava a tropa da 89. a Divisão
de Infantaria, em pânico, como uma multidão
apavorada. Percebi que precisava fazer alguma coisa
para trazê-los de volta a suas posições.
Acendi um charuto, coloquei-me no meio da estrada e
perguntei em voz alta se eles iam me deixar sozinho
para lutar contra o inimigo. Com um comandante de divisão
se dirigindo a eles dessa maneira, pararam, hesitaram,
e então retomaram a suas posições".
A obstinação dos soldados da Hitlerjugend
e o poder de fogo de seus canhões anticarro,
de 75 e de 88 mm, fizeram com que os canadenses avançassem
apenas 5 km, nas primeiras 24 horas. As perdas da Hitlerjugend
eram tais, que não se podia reunir um único
Kampfgruppe completo. Os aliados tentaram abrir caminho
por meio de pesados bombardeios, mas Kurt Meyer antecipara-se
a esse movimento e se retirara com os homens e veículos
para posições defensivas nas aldeias,
antes de os ataques começarem. Durante dois dias,
a partir de 14 de agosto, os quinhentos sobreviventes
da Hitlerjugend controlaram a colina 159, a nordeste
de Falaise, enfrentando a poderosa 3. a Divisão
canadense. Depois de essa posição ter
sido atacada continuamente e bombardeada pela artilharia
e por aviões de apoio à terra, os alemães
foram obrigados a se retirar para além do rio
Ante. A divisão, no entanto, estava reduzida
a dezesseis carros de combate e umas poucas centenas
de homens.
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Normandia1944
- canhão AT 75mm da 12.º SS PzD camuflado
em bocage
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Em 16 de agosto, a 2.ª Divisão canadense
entrou em Falaise e combateu casa por casa um pequeno
destacamento da Hitlerjugend. Cerca de sessenta alemães
resistiram por três dias em uma escola; apenas
quatro sobreviveram e foram presos. Com a perda de Falaise,
o espaço entre as forças britânicas
e americanas reduziu-se a 20 km. Cerca de dezenove divisões
alemãs estavam cercadas no bolsão Argentina-Falaise,
submetidas a incessantes bombardeios aéreos e
de artilharia. Afinal, os exaustos remanescentes da
Divisão Hitlerjugend receberam ordens de manter
aberto o extremo norte do bolsão, para deixar
escapar o máximo de unidades alemãs. Graças
aos esforços da divisão, que susteve o
seu lado da passagem por dois dias, quase metade das
tropas envolvidas conseguiu escapar da armadilha. Kurt
Meyer atravessou o rio Dives com duzentos homens, na
manhã de 20 de agosto, depois de ter "persuadido"
um camponês francês a guiá-Ios. No
dia 22 de agosto, o Grupo B de Exércitos informou
que a 12.ª Divisão Panzer da SS Hitlerjugend
contava um efetivo de apenas trezentos homens, dez carros
de combate e nenhuma artilharia.
Apesar de ferido, Durr
atacou um tanque lança-chamas que abatera alguns
de seus homens.
Muitas das características da Divisão
Hitlerjugend eram comuns a outras unidades da Waffen
SS e do Exército alemão na Normandia,
em 1944. Divisões como a Leibstandarte e a Panzer
Lehr combateram igualmente bem e sofreram baixas igualmente
pesadas. Enquanto divisão panzer, a Hitlerjugend
não estava melhor armada ou mais equipada que
outras divisões equivalentes; sob alguns aspectos,
encontrava -se em situação inferior. Como
aconteceu com muitas outras divisões, durante
a maior parte da campanha a Hitlerjugend esteve dividida
em Kampfgruppen que mobilizavam como granadeiros até
mesmo o pessoal da artilharia, os engenheiros, intendentes
e cozinheiros. A diferença entre essa divisão
da SS e as demais unidades alemãs residia em
sua absoluta aceitação da necessidade
do auto-sacrifício em combate. Nem todos seus
integrantes eram voluntários, mas praticamente
todos evidenciavam o mesmo grande desprendimento, em
boa parte devido ao carisma de seus líderes.
Faltavam oficiais e a divisão se viu obrigada
a operar em pequenas unidades - a liderança dos
grupos de combate recaiu sobre sargentos, cabos e oficiais
inferiores, que exerceram importante papel na manutenção
do obstinado fanatismo dos jovens soldados. Um exemplo
foi o SS Unterscharführer (cabo) Emil Durr, do
26.0 Regimento de Granadeiros Panzer, que recebeu a
Cruz de Cavaleiro a título póstumo, por
sua liderança e bravura. Em 27 de junho de 1944,
embora seriamente ferido, Durr atacou um tanque lança-chamas
que abatera alguns de seus homens. Conseguiu destruí-lo
depois de três tentativas, mas foi morto na ação.
Esses rasgos de heroísmo caracterizaram toda
a divisão.
No entanto, há um lado sombrio no fanatismo e
no desejo de auto-sacrifício: a atitude brutal
para com prisioneiros e civis. Por toda a campanha da
Normandia muitos prisioneiros foram mortos por ambos
os lados, mas a Hitlerjugend ganhou a temível
reputação, particularmente entre os canadenses,
de executá-los em massa. De fato, entre 7 e 16
de junho, os jovens soldados da divisão fuzilaram
64 prisioneiros britânicos e canadenses.
Depois da rendição alemã, tribunais
aliados acusaram Kurt Meyer e outros oficiais da Hitlerjugend
por crimes de guerra. Meyer foi sentenciado à
morte, mas teve a pena comutada para prisão perpétua.
Saiu da prisão em 1954.
Dois fatos se destacam em qualquer análise do
desempenho da Divisão Hitlerjugend na Normandia.
O primeiro é o alto grau de fanatismo dos rapazes
da juventude hitlerista, a disposição
em sacrificar suas vidas. O segundo é a agressiva
liderança dos oficiais, especialmente Kurt Meyer.
Por vezes, o fanatismo, espírito de auto-sacrifício
e liderança agressiva constituem precários
substitutos a boas táticas e adequado poder de
fogo: muitas baixas geralmente não significam
bons soldados. Um comandante britânico lembra-se
de como a Hitlerjugend saltou sobre os tanques aliados,
"como jovens lobos, até que, a contragosto,
fomos obrigados a matá-los". Mas essa disposição
de sacrifício e a capacidade de resistir a desgastantes
batalhas elevaram a Hitlerjugend ao nível de
força de elite. Nas palavras de Max Hastings,
em seu livro Overlord: "Nenhuma formação
causou problemas tão graves aos aliados na Normandia,
até o fim, como a 12.ª Divisão Panzer
da SS".
o AUTOR Professor de Estudos de Guerra e Relações
Internacionais na Academia Militar de Sandhurst, Keith
Simpson é membro do Royal United Services
Institute e do International Institute for Strategic
Studies. Dedica interesse especial à guerra moderna.
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12.ª
DIVISÃO PANZER DA SS HITLERJUGEND
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A
Waffen SS nasceu no início da Segunda
Guerra Mundial, com base nas SS paramilitares
(Schutzstaffel, ou Esquadrões de Proteção)
já existentes. No dia 20 de junho de
1943, em Antuérpia, os quadros da 1.ª
Divisão Panzer da SS Leibstandarte
Adolf Hitler, reunidos a integrantes das escolas
de liderança da Hitlerjugend (Juventude
Hitlerista), formaram uma nova divisão
de granadeiros panzer. Com as forças
adicionais da Leibstandarte, constituiriam
o 1.º Corpo Panzer da SS. Em 21 de outubro,
Hitler ordenou que o corpo fosse formado de
duas divisões panzer, e não
de uma. No dia seguinte, a nova divisão
recebeu o nome de 12.ª SS Panzer Division
Hitlerjugend. Essa unidade não tinha
precedentes no Exército alemão.
A maioria dos oficiais e comandantes foi selecionada
dentre os veteranos da Leibstandarte, na frente
oriental, encarregados de treinar os jovens
recrutas. Seus métodos não eram
nada ortodoxos. A preparação
para combate incluía submeter os rapazes
à fome e aos ataques com munição
real. Apesar das baixas inevitáveis,
a divisão chegou à Normandia
ansiosa para entrar em combate.
Os rapazes da Juventude Hitlerista eram nazistas
fanáticos entregues de corpo e alma
ao projeto da construção do
"Reich dos Mil Anos". Imbuídos
do romantismo do guerreiro germânico,
receberam a oportunidade da "glória
máxima " - a .morte em defesa
da terra natal. |
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Devido
à falta de uniformes na Alemanha nazista,
grande número de soldados da Divisão
Hitlerjugend foi equipado com uniformes feitos
com material de camuflagem italiano, requisitado
após a rendição da Itália,
em 1943. Além do uniforme "italiano",
este granadeiro tem o capacete coberto com
o mesmo material de camuflagem. Os coturnos
são os utilizados em ampla escala,
por volta de 1944.
O armamento consiste numa metralhadora MG42,
de 7,92 mm; por esse motivo, ele leva uma
caixa de couro com peças de reposição
e material de limpeza. Apesar de muito respeitada
pelos aliados, a MG42 era urna arma difícil
de usar, que exigia arti lheiros de ótima
qualificação, devido a sua alta
cadência de tiro (até 1.200 balas
por minuto). Foi a primeira metralhadora moderna
de aplicação geral, pois podia
ser usada como me tralhadora leve, montada
numsuporte de dois pés ou para fogo
contínuo de longo alcance, sobre um
tripé. |
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O
SS Untersturmführer (segundo-tenente)
Herbert Walther, membro da Juventude Hitlerisla
aos onze anos e voluntário da Waffen
SS aos dezoito. Estava com Kurt "Panzermeyer"
em Caen, onde ganhou a Cruz de Ferro de primeira
classe. Ele mesmo relata sua tentativa de
escapar do bolsão de Falaise: "Meu
motorista estava em chamas e eu tinha uma
bala no braço. Saí correndo
por uma ferrovia. Estavam disparando, de longe,
e fui ferido na perna. Corri 100 m e então
senti como se tivesse sido atingido na nuca
por um martelo. Uma bala entrara sob a orelha
e"·saíra pelo rosto. Eu
estava sufocando com o sangue. Havia dois
americanos olhando para mim, caído,
e dois franceses que queriam acabar comigo".
Mas um americano aplicou uma bandagem a sua
perna e ele foi levado para um hospital, onde
removeram treze balas de seu corpo. |
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