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PILOTO
DE STUKA (TROTZDEM)
Hans-Ulrich Rudel (*1916- +1982)
Oberst St.G2
2.530 missões de combate, 9 vitórias
(7 caças em combate).
519 tanques destruídos, 800 veículos
de todos os tipos, 150 peças de artilharia,
Inúmeras pontes, 70 embarcações
anfíbias, um encouraçado, um cruzador,
um destróier.
"Você é o maior e mais corajoso
soldado que o povo alemão jamais teve",
disse Adolf Hitler para aquele filho de um pastor
protestante em 1º de janeiro de 1945. Seu nome:
Hans-Ulrich Rudel, um nome que se tornaria lenda e
sinônimo de uma bravura da Luftwaffe.
Hans-Ulrich Rudel começou sua surpreendente
carreira de piloto em 1939, durante a campanha da
Polônia. Do primeiro ao último dia de
guerra na frente oriental (1941 a 1945), de Leningrado
a Stalingrado e depois de Moscou até Berlim,
Rudel bateu-se incessantemente contra os russos, e
foi um dos raros pilotos a atravessar seis anos de
combates aéreos. Não foi por acaso que
ganhou a fama de piloto "indestrutível".
Abatido em cerca de trinta ocasiões, o fim
do Conflito o encontrou pilotando um Fw 190D-9, com
uma perna amputada e outra engessada!
Rudel
nasceu em Konradswaldau, Silésia, numa parte
da Alemanha que hoje pertence à Polônia,
em 02 de julho de 1916. Sempre foi tido como um garoto
tímido e assustado e sua professora lembrava-se
dele como "uma criança adorável
mas um estudante terrível". Sua falta
de habilidade nos estudos era
compensada pelo seu interesse em atividades esportivas.
Quando o Partido Nazista assumiu o poder em 1933,
Rudel ainda era um adolescente. Ele ingressou na Juventude
Hitlerista (Hitlerjugend), tornando-se líder
de esquadrão (Scharführer) - uma ótima
forma de escapar da escola. No entanto, após
deixar esta Organização ao completar
18 anos, ele não se filiou ao NSDAP, ao contrário
do que normalmente se afirma. Em 1936, aos 20 anos
de idade, após completar seus estudos em Schweidnitz
e Görlitz, ele juntou-se à Luftwaffe como
Fähnrich (aspirante-a-oficial). O principal atrativo
foi à possibilidade de poder continuar praticando
seus esportes, notadamente o atletismo.
Após concluir seu curso de piloto, em 1939,
Rudel prestou os exames para treinamento avançado
na Sturzkampffliegerschule (Escola de Pilotos de Mergulho),
mas, surpreendentemente, aquele que se tornaria o
mais famoso piloto de Stuka foi recusado. Ao contrário
de sua vontade, ele seria treinado como piloto-oservador.
Deste modo, quando a guerra eclodiu, em setembro de
1939, o então Leutnant Rudel efetuou missões
de reconhecimento de longo alcance durante a Campanha
da Polônia, recebendo sua Cruz de Ferro de 2ª
Classe em 11 de outubro de 1939.
Rudel
nunca desistiu de sua aspiração e, após
várias tentativas, ele finalmente foi admitido
para treinamento em maio de 1940. Durante toda a Campanha
da França, o já Oberleutnant Rudel permaneceu
na Sturzkampffliegerschule próxima a Stuttgart.
Em setembro daquele ano, ele seria transferido para
o 1./St.G 2 "Immelmann" (1º Staffel
da Stukageschwader 2) e voaria suas primeiras missões
a bordo do avião durante a invasão da
Ilha de Creta - embora não tenha estado na
zona de batalha. A esta altura da guerra, a Luftwaffe
operava o mais famoso avião da Blitzkrieg:
o bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka. Assim,
nos comandos desta aeronave o jovem Rudel mergulhava
sobre o alvo como uma águia de rapina, em um
ângulo de quase 90º, lançando sua
bomba com uma precisão cirúrgica.
Nas preparações para a Operação
Barbarossa, a unidade de Rudel foi transferida para
a Frente Oriental e, em 23 de junho de 1941, às
3:00hs da manhã, ele voou sua primeira missão
de combate em um ataque de mergulho. Nas 18 horas
seguintes, Rudel voaria um total de quatro missões.
Em 18 de julho de 1941, ele seria condecorado com
a Cruz de Ferro de 1ª Classe.
Mas
seu primeiro grande momento na guerra ainda estava
por vir. Em 23 de setembro de 1941, os dois Staffeln
do I/St.G 2 (Gruppe I do St.G 2) atacaram a frota
soviética ancorada no porto de Kronstadt (na
área de Leningrado), defendido por mais de
1.000 armas antiaéreas. Entre os navios lá
ancorados, estava o encouraçado "Marat",
de 26.500 toneladas - um dos dois únicos navios
de grande porte da esquadra vermelha. Mais tarde,
Rudel se recordaria: "Foi terrível. Havia
explosões por todos os lados. O céu
parecia estar repleto de cascalhos. Eu estava me sentindo
muito mal e o vôo foi uma tortura. (...) O mergulho,
num ângulo de 70º a 80º, tirou o meu
fôlego. Eu tinha o "Marat" em minha
mira, ele se aproximava cada vez mais, mais rápido.
O navio se tornava cada vez maior. Eu via as bocas
de suas armas antiaéreas apontando ameaçadora-mente
para mim. (...) Não havia tempo para me preocupar
com o fato de que um tiro direto de flak poderia me
partir em pedaços. O "Marat" já
preenchia completamente meu visor. Os marinheiros
corriam pelo deck do navio, alguns carregando munições.
Um dos canhões virou em minha direção
e começou a disparar. Neste momento eu apertei
o botão que liberava a bomba. Puxei o manche
para trás com toda minha força, na tentativa
de tirar o avião do mergulho, já que
minha altitude era de apenas 300 metros. A bomba de
1.000kg que tinha acabado de soltar não poderia
ser lançada de uma altitude inferior a 1.000
metros sob o risco de destruir o bombardeiro. Mas
eu não estava me importando com isso. Eu queria
atingir o "Marat" - nada mais.
Embora eu puxasse o manche como um louco, eu tinha
a sensação que o avião não
estava me obedecendo. Eu estava quase perdendo os
sentidos. Havia uma sensação terrível
em minha cabeça e estômago quando eu
escutei a voz excitada de meu artilheiro de ré:
'Herr Oberleutnant, o navio explodiu! Eu me virei
lentamente. Lá estava o "Marat" atrás
de uma nuvem de fumaça quase impenetrável
de 400 metros.".
Ao finalizar seu mais bem sucedido ataque, Rudel,
descendo dos céus em um ângulo de 90º,
saiu do mergulho a apenas 4 metros da superfície
da água! "Somente nesse momento eu percebi
que ainda estava vivo" - ele afirmou bem depois.
Este feito poderia ter dado a Rudel uma condecoração,
mas isso não ocorreu. Hauptmann Steen, que
comandou todo o Gruppe que participou daquele ataque
disse a ele: "eu tenho certeza que você
compreenderá que eu não posso condecorar
um único homem depois desta corajosa missão
na qual o Gruppe inteiro tomou parte (...) eu considero
o valor da equipe como um time, o que é mais
importante do que recomendá-lo para a Cruz
de Cavaleiro".
Além do encouraçado "Marat",
Rudel e seu Ju 87 afundariam um cruzador, um destróier
e cerca de 70 embarcações anfíbias
e ainda danificaria o encouraçado "Revolução
de Outubro" (irmão do malfadado "Marat"),
até o fim da guerra.
Na
véspera do Natal de 1941, Rudel voou sua 500ª
missão e, seis dias depois, em 30 de dezembro,
ele foi condecorado com a Cruz Germânica em
Ouro pelo General der Flieger Wolfram von Richthofen,
quando já havia sido designado Staffelkapitän
do 9./St.G2. Depois disso ele seria enviado para Graz
(Áustria) para atuar como instrutor de novas
tripulações de Stuka. Em 06 de janeiro
de 1942, o Oberleutnant Hans-Ulrich Rudel foi finalmente
condecorado com a merecida Cruz de Cavaleiro da Cruz
de Ferro, mas ele somente retornaria à frente
de batalha - devido à sua insistência
- em junho de 1942. Em setembro de 1942 ele receberia
o comando do 1./St.G 2, operando na área de
Stalingrado, em apoio às tropas do 6º
Exército alemão, sob comando do Generaloberst
Friedrich von Paulus que tentava conquistar aquela
cidade. Nesta ocasião a utilização
de bombas contra os tanques soviéticos foi
percebida. A idéia de utilizar aeronaves armadas
com canhões de grande calibre contra blindados
data desta época. No final daquele ano os alemães
criaram o "Versuschskommando für Panzerbekämpfung"
(Comando Especial para Combate a Blindados), posteriormente
conhecido como "Panzerjagd kommando Weiss",
em homenagem a seu comandante, Oberst Otto Weiss.
Depois de uma série de testes com várias
aeronaves na localidade de Rechlin (Alemanha) - das
quais Rudel participou - decidiu-se pelo emprego do
Junkers Ju 87D-3 equipado com dois canhões
Rheinmetall-Borsig Flak 18, com seis projéteis
de 37mm cada um. O "Panzerjagdkommando Weiss"
foi enviado à frente em fevereiro de 1943.
No dia 10 daquele mesmo mês Rudel voou sua 1000ª
missão de combate e se tornou um herói
para a imprensa alemã. Quase imediatamente
ele foi designado para atuar na nova unidade, então
sediada em Briansk. As primeiras unidades foram primeiramente
utilizada contra barcaças de transporte de
tropas anfíbias no Mar Negro e, no espaço
de três semanas, Rudel destruiu 70 destes barcos.
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Ataque dos
Stukas contra
barcaças de transporte de tropas anfíbias
no Mar Negro
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Em
16.03.1943, durante uma batalha de tanques na região
de Belrogod, Rudel destruiu seu primeiro tanque com
seu Stuka equipado com os canhões de 37mm:
"meu artilheiro de ré disse que o tanque
explodiu como uma bomba e que tinha visto seus pedaços
voando logo atrás de nós", recordou-se
Rudel. Mais tarde, a maioria dos Ju 87D-3 foram convertidos
para destruidores de tanques e redesignados como Ju
87G-1, quase sempre sendo apelidados de "Panzerknacker"
(Destruidor de Tanques) ou de "Kanonenvogel"
(Pássaro Canhão), sendo que tal conversão
estava completa em outubro de 1943.
Em
14 de abril de 1943, Hans-Ulrich Rudel foi condecorado
por Hitler com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro
(o 229º soldado agraciado) e, pouco depois, promovido
a Hauptmann. Em 05 de julho de 1943, durante a Operação
Zitadelle - a derradeira ofensiva alemã em
Kursk, que seria a maior batalha de tanques da História
- os dois primeiros Staffeln equipados com as novas
configurações de Stukas encontravam-se
em operação: o Pz.J.Sta./St.G 1 e Pz.J.Sta./St.G
2 (Panzerjagdstaffel do Stukageschwader 1 e 2). Totalizando
apenas nove aviões, o Staffel de Rudel fora
designado para atuar em apoio à 3ª Divisão
SS "Totenkopf". No primeiro dia da Operação,
em sua primeira missão, ele destruiria sozinho
quatro tanques e, antes daquele dia terminar, seu
score havia subido para doze. Depois ele diria: "Nós
todos nos sentíamos contaminados pela gloriosa
sensação de ter evitado um maior derramamento
de sangue do povo alemão com cada tanque destruído."
Ao mesmo tempo, em razão do sucesso de seus
esquadrões, novos Panzerjagerstaffeln foram
formados. Baseado em suas experiências, Rudel
desenvolveu novas táticas para seus aviões.
Ele
descobriu que o melhor método de atingir os
tanques era, voando a baixa altitude, atirar em sua
parte de trás (o motor do T-34, o principal
blindado russo, era montado na traseira e seu sistema
de arrefecimento não permitia a instalação
de uma blindagem mais espessa). O aspecto interessante
era que, atacando da retaguarda, ele sempre estaria
voando em direção às suas próprias
linhas - o que é interessante se seu avião
estiver avariado. Outro ponto fraco do T-34 eram as
laterais. Usando esta tática e voando um avião
que não ultrapassava meros 350 km/h (o que
o tornava um alvo fácil para os inimigos),
Rudel destruiria um número fantástico
de blindados: 519 tanques soviéticos, o equivalente
a cinco regimentos completos!!! Uma "oração"
era muitas vezes feita por soldados alemães
na Frente Russa quando os tanques T-34 avançavam
em direção às suas linhas: "Meu
Deus, nos envie Rudel!". E ele quase sempre vinha...
E nunca um único homem causou tamanho dano
sobre um inimigo, chegando a destruir 17 tanques em
um único dia - não é por acaso
que os russos ofereceram pela sua cabeça um
prêmio de 100.000 rublos. Além disso,
também totalizaria 150 canhões antitanques
e antiaéreos, abateria nove aviões inimigos
e, em seis ocasiões, aterrissaria atrás
das linhas soviéticas para resgatar outras
tripulações de Stukas abatidos.
Em
17 de julho de 1943, Rudel tornou-se Gruppenkommandeur
do III/St.G 2 e, em 25 de novembro do mesmo ano, ele
mais uma vez dirigiu-se à presença de
Hitler para se tornar o 42º soldado em toda Wehrmacht
a receber as Espadas da Cruz de Cavaleiro da Cruz
de Ferro. No início de março de 1944,
ele voou sua 1500ª missão de combate.
Rudel não bebia e não fumava e, em vez
de sair com os amigos de sua Geschwader para divertir-se,
ele aproveitava seus raros momentos de folga para
treinar arremesso de dardo e sempre que possível,
corridas de longa distância (10.000 metros).
Essa sua eterna paixão por esportes viria a
salvar sua vida. Durante uma missão em 21.03.1944
para bombardear uma ponte sobre o rio Dniestr, seu
esquadrão foi atacado por caças Lavochkin
La-5. O ala do então Major Rudel foi forçado
a aterrissar atrás da linha inimiga. Rudel
também pousou para resgatar seus amigos, mas
foram quase que imediatamente cercados por tropas
soviéticas, sendo que a neve fofa impediu o
seu avião de decolar.
Os quatro soldados tiveram que realizar sua fuga a
pé. Mas logo o rio barrou seu caminho, sendo
que eles tiveram que atravessá-lo a nado. Seu
artilheiro veio a falecer nas águas gélidas,
embora Rudel tenha nadado de volta para ajudá-lo.
Os outros dois homens também não resistiram
e morreram vítimas dos perseguidores russos.
Mas Rudel continuou. Após percorrer 50 km a
pé e descalço, ferido no ombro por um
tiro e perseguido por tropas montadas e cães,
ele atingiu as linhas alemãs. Alguns dias depois,
ele estava voando sua 1.800ª missão, razão
pela qual Hans-Ulrich Rudel se tornou, em 29 de março
de 1944, o 10º soldado alemão a ser condecorado
com a Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas
e Diamantes pelo próprio Hitler, que ficou
fascinado com a bravura do jovem piloto.
Nesse ínterim, Rudel destruía cada vez
mais tanques, à medida que as forças
alemãs recuavam para dentro do III Reich. Em
28 de março de 1944 ele acumulava 202 tanques
destruídos, número que havia aumentado
para 300 em 06 de agosto. Em novembro de 1944, enquanto
voava próximo a capital húngara (Budapest),
ele foi ferido na perna, mas retornaria ao serviço
alguns dias mais tarde - com sua perna engessada -
para atingir a marca de 463 blindados destruídos
em 23 de dezembro daquele ano.
No
entanto seu grande dia viria no Ano Novo de 1945.
Nesta data Rudel receberia a Cruz de Cavaleiro com
Folhas Douradas de Carvalho, Espadas e Diamantes,
uma condecoração da qual ele seria o
único recebedor. Na mesma ocasião ele
foi promovido ao posto de Oberst e recebeu o Schlachtfliegerspange
mit Brillanten (Clasp de Vôo para Apoio Terrestre
com Brilhantes - criado em reconhecimento à
sua 2000ª missão). Nesta ocasião
foi comunicado que ele estava sendo proibido de voar
em missões de combate, o que Rudel não
estava disposto a aceitar. Já havia conseguido
evitar esta ordem outras vezes, mas nesta ocasião
Hitler parecia irredutível. Para ele, o jovem
Oberst já havia feito o suficiente. Foi então
que Rudel disse: "Mein Führer, eu não
aceitarei esta condecoração e a promoção
se não me for permitido que continue a voar
com minha Geschwader!" Um longo silêncio
se seguiu. Ninguém contrariava Hitler!!! O
Führer olhou-o por um longo período e
finalmente disse: "Muito bem. Se você realmente
precisa voar... vá em frente. Mas se cuide.
Eu preciso de você. O povo alemão precisa
de você". Cinco semanas depois, a sorte
de Rudel acabou. Atingido na parte em sua coxa direita
por um tiro de uma bateria antiaérea de 40mm,
em 09 de fevereiro de 1945, próximo a Frankfurt
amder Oder, ele sangrou quase até a morte com
seu osso estilhaçado. Pousando em aeródromo
alemão e levado rapidamente a um hospital de
campo, sua perna direita foi amputada na altura do
joelho. Levado posteriormente a um hospital em Berlim,
lá ele receberia uma prótese. Mas, mesmo
assim, Rudel não desistiu. Ele voltaria a voar
antes do final da guerra utilizando sua prótese,
destruindo mais 13 outros tanques e comandando a mais
antiga e mais conhecida das unidades de apoio terrestre:
a Schlachtgeschwader 2 "Immelmann", já
equipada com os novos Fw 190D-9. Em 08 de maio de
1945, quando a Alemanha se rendeu, Oberst Rudel, que
estava na região da Bohemia, voou sua 2530ª
e derradeira missão, em direção
às tropas americanas situadas no aeroporto
de Kitzingen, próximo a Wurzburg, escapando
pela última vez à captura pelos soviéticos.
Seu derradeiro ato foi destruir os aviões à
medida que iam pousando, mediante uma aterrissagem
forçada.
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entrevista
de Hans Rudel no Hospital (em alemão)
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Rudel
seria interrogado primeiro na Inglaterra e, posteriormente,
na França, retornando finalmente a um hospital
na Bavária, para convalescer de seus ferimentos.
Após sua alta em 1946, ele trabalhou por um
tempo como empreiteiro no negócio de transporte
de cargas e, em 1948, ele emigrou para a Argentina,
onde trabalhou para o governo daquele país
como assessor da Força Aérea, mas estendendo
seus negócios também no Paraguai e Brasil.
Neste último, onde esteve por várias
vezes na região de Santa Catarina e passou
alguns de seus últimos dias de vida, o mais
bem sucedido piloto da Luftwaffe e de toda a Segunda
Guerra Mundial só deixou ótimas recordações:
"O Sr.Rudel esteve inúmeras vezes aqui
em nossa região, era uma pessoa explendida."
- Anônimo.
Rudel retornou para a Alemanha nos anos 50, envolvendo-se
na política onde não foi muito bem sucedido
devido à suas posições excessivamente
conservadoras, ainda atreladas ao pensamento totalitário
dos anos 30. Ele escreveu sua biografia, chamada "Trotzdem",
que foi traduzida para oito línguas (inclusive
o português, "Piloto de Stuka") e
se tornou um dos grandes clássicos da literatura
sobre aviação da II Guerra Mundial.
Mas mesmo em tempos de paz, Rudel continuou praticando
esportes. Esquiava, corria e chegou a escalar o monte
Llullay-Yacu na Argentina (6.902 mts). Ele também
era muito respeitado nos EUA, onde foi entrevistado
em várias ocasiões por militares americanos
durante o desenvolvimento do avião A-10 Wartog
(um novo tank-buster, movido a jato e equipado com
um canhão rotativo Gatlin de 20mm - muito usado
na Guerra do Golfo). Suas atividades só diminuiriam
após um derrame em 1970, que o deixou com o
braço direito paralisado. Ainda assim, apoiar
Rudel podia se revelar algo muito perigoso. Em 1976,
durante o encontro de veteranos do St.G 2 Immelmann
com os jovens pilotos alemães da mesma unidade
da Bundesluftwaffe, Rudel foi levado à reunião
e realizou um bem sucedido discurso para os presentes.
Criticado duramente, Rudel foi publicamente defendido
pelo então General Walter Krupinski - que foi
sumariamente demitido. O balanço matemático
de sua carreira é formidável: Rudel
voou 2530 missões de combate (das quais 400
foram a bordo de um Fw 190D-9), sendo abatido em cerca
de 30 ocasiões. Em seis anos, ele destruiu
cerca de 150 peças de artilharia, 519 tanques
e aproximadamente 1000 veículos variados. Além
do couraçado "Marat", ele afundou
dois cruzadores e um destróier e danificou
seriamente outro encouraçado, como já
foi descrito. Sob outra perspectiva, devemos ainda
considerar que seus vôos cobriram uma distância
de mais de 600.000km e usaram mais de 5.000.000 de
litros de combustível. Em adição
a estes números, Rudel despejou mais de 1.000.000kg
de bombas, disparou mais de 1.000.000 de projéteis
de metralhadoras, e efetuou mais de 150.000 disparos
de 20mm e mais de 5.000 disparos de 37mm.
Sem
sombra de dúvida, a despeito de sua controvertida
figura, é inegável que Hans-Ulrich Rudel
foi um piloto experiente, que amava voar e combater.
Ele odiava estar em licença ou em repouso médico
e mesmo quando teve sua perna amputada, ele não
se deixou deprimir e continuou a voar e destruir.
Ele demonstrou um poder, firmeza, destemor e determinação
sem paralelos, mas nenhuma das imagens que temos dele
durante a guerra nos mostra qualquer sinal das difíceis
situações vividas em combate em seu
rosto. Sua bravura pessoal está, portanto,
além de qualquer questionamento, e seu lugar
na história da aviação militar
é plenamente merecido. Hans-Ulrich Rudel, o
soldado mais condecorado de toda Wehrmacht morreu
aos 66 anos de idade, em 18 de dezembro de 1982. A
seu pedido, todas as suas condecorações
foram doadas por sua viúva para um Museu Alemão,
onde repousam até esta data, já que
Rudel não queria vê-las leiloada nos
Estados Unidos. Mas, como não podia deixar
de ser, mesmo seu funeral foi controvertido. Embora
a Bundesluftwaffe tenha proibido a presença
de pilotos em seu funeral, vários pilotos apareceram
para uma última homenagem. No momento em que
ele era colocado no local de seu repouso definitivo,
dois caças McDonnel Douglas F-4 Phantom da
Luftwaffe fizeram uma saudação à
baixa altitude como um último adeus perante
a cova aberta. Os autores desta última e merecida
homenagem nunca foram identificados...
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Rudel mostrando
a perna amputada.
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Galeria de
imagens...
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clique nas imagens
para ampliar...
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Ficha
do Piloto
Unidades:
- * Sturzkampfgeschwader 2
- Staffelkapitän do 9./St.G2
- Staffelkapitän do 1./St.G2 (9.42 - )
- Kommandeur do III/St.G2 (17.7.43 - )
- Kommodore (4.45 - 8.5.45)
- Panzerjagdkommando Weiss
* Renomeada Schlachtgeschwader 2 (SG2) a partir de
out/1943.
Aeronaves:
- Junkers Ju 87
- Focke-Wulf Fw 190D
Campanhas:
- Blitzkrieg
- Bálcãs
- Frente Oriental
Promoções:
- 1939 - Leutnant
- 29/12/1944 - Oberst
Condecorações:
- 11/10/1939 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 18/07/1941 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 30.12.1941 - Cruz Germânica em ouro
- 06/01/1942 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
- 14/04/1943 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro
.........................(229º)
- 25/11/1943 - Espadas da Cruz de Cavaleiro...........................................(42º)
- 29/03/1944 - Diamantes da Cruz de Cavaleiro........................................(10º)
- 29/12/1944 - Folhas de Carvalho douradas..............................................(1º)
- 29/12/1944 - Clasp de vôo em ouro com diamantes
Texto extraido do livro Piloto de
Stuka (TROTZDEM)
- RUDEL, H. U. - São Paulo - editora Flamboyant
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