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Uma minúscula ilha, com cerca de dois quilômetros quadrados, custou mais de 4 mil vidas. É Tarawa, típica de alguns combates mais concentrados da guerra, enquanto os americanos empurram os japoneses, de ilha para ilha, ao longo do Pacífico.
 
Ilha de Tarawa

Fevereiro de 1942,

Os bombardeiros japoneses atacaram o continente australiano.O ataque imobilizou a base naval de Darwin, temporariamente.Com o avanço dos japoneses através da Nova Guiné, alguns australianos pensaram que seria o prelúdio da invasão, mas o Exército e a Marinha japonesa foram incapazes de corresponder.Os seus planos de invasão foram postos de lado. Os japoneses viram que haviam progredido muito para o interior. Nas condições terríveis da selva da Nova Guiné, os australianos, com o apoio crescente dos americanos, travaram o avanço japonês na base vital de Port Moresby. Ao longo de Kokoda Trail, os Aliados contra-atacaram.

As doenças foram entraves tão terríveis como as balas japonesas. Em finais de 1942, a ameaça à Austrália tinha desaparecido. O cenário estava montado para a longa e amarga luta, de obrigar os japoneses a recuarem para a sua pátria.

A ofensiva aliada estava sob o comando separado de dois rivais:O General Douglas MacArthur no Sudoeste do Pacífico; e o Almirante Chester Nimitz, no Pacífico Central. A estratégia americana era atacar em duas frentes um inimigo cujas conquistas abrangessem centenas de quilômetros quadrados de terra e oceano.

MacArthur teria de subir das Salomão e Nova Guiné, até às Filipinas. As forças sob o comando de Nimitz iriam saltar de ilha em ilha. As ilhas Marshall, as Marianas, Iwo Jima, Okinawa.Começariam nas Gilberts, em Novembro de 1943, na ilha de Tarawa.
- Cada um de vocês é melhor do que um japonês. Melhor fisicamente, melhor psicologicamente. Tem armas melhores, terá melhor apoio. Portanto, facilmente o vencerá numa luta individual.
"Deixe-me repetir o que o General disse: Se tiverem de correr riscos para fazer um prisioneiro, então não o façam."
O primeiro objetivo da armada do Almirante Nimitz, o atol de Tarawa, tornou-se uma fortaleza japonesa, da qual os aviões descolavam, podendo atacar a frota dos EUA. Tarawa tinha de ser tomada. Era a primeira vez que um ataque era lançado do mar contra um atol bem defendido e protegido por um recife de coral.

Nenhum dos 5 mil Marines do ataque inicial se apercebeu de como era forte a defesa de Tarawa. Eles pensavam que apontavam as armas e demoliam tudo. Que não haveria viva alma na ilha.
- Lembro-me de ele nos dizer: "Esta vai ser a invasão mais fácil que já fizemos." Ele dizia: "Só vamos precisar de dois homens".
"Um com uma carabina e outro com uma ardósia. Um para disparar e um para tomar nota. Vai ser mesmo fácil." ·.
- Voltei-me para o Major ao meu lado no convés e disse: "Alguns dos nossos homens não me parecem muito bem hoje." E ele disse: "Não está a pensar que os bombardeamentos são nossos?" Então me apercebi de que estávamos a ser bombardeados e que havia realmente alguns japoneses em Tarawa.

- Todos estavam confiantes de que iríamos expulsar os japoneses.
Os Marines não teriam problemas com eles, se conseguíssemos pôr os pés na praia. Temos de lembrar-nos que a ilha tinha apenas 800 m de extensão e quando pomos 20 mil homens numa ilha assim, é uma multidão. Havia japoneses à frente das linhas, por trás, por todo o lado. Disseram-nos que conseguíamos tomar a ilha em pouco tempo e tornou-se evidente, horas depois de desembarcarmos, que não seria assim. As trincheiras tinham sido tapadas pelos bombardeamentos. Na manhã seguinte, a cerca de 20 m de mim, vi um japonês a cavar. Estavam a tirar a areia para verem alguma coisa aqui para fora. A batalha travou-se durante três dias, com os japoneses a defenderem-se recuando até à ponta da ilha.

O comandante japonês tinha afirmado que Tarawa não conseguiria ser tomada nem em 100 anos.

- Imaginem o que é, cerca de 6 mil mortos, numa ilha daquele tamanho e considerando que está a um grau do Equador, o calor que se faz sentir lá, podem imaginar o cheiro, ao fim de um ou dois dias, de toda aquela carne em putrefação. Era um cheiro adocicado, nauseabundo e adocicado, e não tenho conhecimento de, na II Guerra Mundial, ter havido outro local com tamanha concentração de mortes.

Quando tudo acabou, de 3 mil japoneses apenas 17 se renderam.
Os americanos tiveram mais de mil mortos e 2 mil feridos. A opinião pública nos Estados Unidos ficou chocada, que tivessem ocorrido tantas perdas humanas em tão curto período de luta.

Depois de Tarawa, as forças de invasão americanas seguiram para as Ilhas Marianas: Saipan, Tinian e Guam. A força naval japonesa que protegia os desembarques estava colocada a oeste de Saipan.
Vinda de Okinawa, em Junho de 1944, estava a Frota de Intervenção Japonesa, procurando o êxito naval que ainda virasse a guerra a seu favor. De repente, pelo radar, os americanos viram que tinham sido avistados pelos japoneses. Todos os caças americanos disponíveis foram postos no ar para confrontar vaga após vaga de aviões japoneses.

Muitos japoneses eram novatos, sem experiência de guerra. Os seus aviões eram fracos em blindagem. Para os aviadores americanos atingirem os seus adversários, era tão fácil como alvejar perus. Após o primeiro confronto, só um avião americano não regressou. Rearmados e reabastecidos, os americanos estavam prontos para o próximo passo dos japoneses.
Havia mais dois ataques devastadores a enfrentar. Contudo, os americanos tinham cerca de 900 aviões em porta-aviões, duas vezes mais do que os japoneses.

O ataque às Marianas durou apenas oito horas. Num só dia, o poder aéreo naval japonês estava virtualmente destruído. A esquadra inicial de 430 aviões estava reduzida a cerca de 100.
As perdas americanas eram relativamente baixas. Os pilotos eram mais importantes do que as máquinas. No final do dia, os americanos tinham vencido a batalha aérea, mas tinham ainda de localizar a armada japonesa agora em retirada.

No dia seguinte, os americanos continuaram à procura do inimigo. Só ao fim da tarde os seus aviões avistaram a Frota de Intervenção, a mais de 200 milhas, no limite do alcance dos bombardeiros americanos. Mas a ordem foi dada: atacar. Ao anoitecer, o alvo principal do ataque americano, a frota de porta-aviões japoneses, estava bastante maltratada. Um porta-aviões afundado e mais dois danificados. Esta grande batalha naval, em que nenhuma das esquadras disparou sobre a outra, terminou com os japoneses reduzidos a 35 aviões, em retirada para as suas bases no Japão. Os aviões americanos enfrentavam agora o problema do regresso aos porta-aviões. A decisão de atacar podia significar ficarem sem combustível na viagem de regresso. Os primeiros a voltar foram os caças, que tinham protegido a Força de Intervenção. Pousar ao anoitecer já era difícil. Mas mais tarde os aviões teriam de encontrar os seus porta-aviões, na noite escura como breu. Alguns não conseguiram.

 
Pousos e decolagens nos porta-aviões americanos. O porta-aviões foi a arma
fundamental para a vitória americana na guerra do pacífico.

- Foi provavelmente a noite mais escura que vi na minha vida. E sobre o oceano inteiro. Penso que estaria a voar a cerca de 7 mil pés, a melhor altitude para poupar combustível, e estava escuro como o diabo e não se ouvia nada, só a nós próprios, só os gritos... Não diria gritos, mas meras comunicações: Vou ter de amarar, estou sem combustível. E ouviu-se constantemente, até que todos os caças-bombardeiros que tinham agüentado o ataque caíssem na água. E então, penso que a cerca de 100 milhas da Força, os pilotos gritavam: "Daqui..." não me lembro do indicativo,
"Vou cair, estou sem combustível." Depois se fez silêncio, até estarmos ao alcance da Força. Só então percebemos o que acontecera à Força de Intervenção o que seria o processo de recuperação. Não tínhamos visto. Os navios navegavam, com as luzes apagadas, um procedimento normal, para não serem detectados do ar.

Mas o Almirante sabia que seria difícil pousar, com falta de combustível e sem tempo para procurar os navios. A decisão foi tomada e foi dada ordem aos porta-aviões, para que acendessem as luzes. No dia seguinte, a Força de Intervenção salvou a grande maioria das tripulações dos aviões, que tinham sido forçadas a amarar.Com a vitória da Batalha do Mar das Filipinas, o desembarque nas Marianas podia prosseguir, sem a interferência da Marinha Japonesa.

À custa de 3 mil mortos americanos, Saipan rendeu-se. Tinian não estava tão bem defendida. Guam agüentou durante três semanas. Avançando para ocidente, vinda das Marianas, uma força anfíbia americana foi colocada por Nimitz sob o comando de MacArthur, à medida que as duas frentes rivais começavam a juntar-se.

O objetivo era o arquipélago de Palau.Este tinha de ser tomado antes da invasão das Filipinas.
Numa das ilhas, Pelelieu, mais uma vez os americanos enfrentam grande resistência, de uma impressionante força de 10 mil tropas japonesas. Em vez de confrontarem os americanos nas praias, os japoneses tinham recuado para um labirinto de grutas e túneis. Os americanos tiveram de lutar, palmo a palmo, contra um inimigo determinado a lutar até à morte. Na sangrenta batalha por Pelelieu,
4 em cada 10 americanos foram mortos ou feridos.

Levou meses até que todos os japoneses fossem retirados de lá.Não houve vitórias fáceis, nestas ilhas do Pacífico. Alguns dos Marines mortos, só puderam ser identificados pelas impressões digitais.

20 de Outubro de 1944,

MacArthur cumpriu a sua promessa: voltou às Filipinas. O desembarque decorreu praticamente sem oposição, com os japoneses recolhidos nos seus pontos de defesa principais, mas a invasão desencadeou uma das maiores e mais complexas batalhas navais da história. A Batalha do Golfe de Leyte duraria quatro dias.
Quatro forças japonesas convergiram para as Filipinas, vindas de Bornéu, da Formosa e do Japão. Os americanos tinham duas frotas, a Sétima e a Terceira. O objetivo dos japoneses era destruir os navios americanos, no Golfe de Leyte. Após uma série de confrontos desordenados, a centenas de quilômetros de distância, a Marinha Imperial Japonesa sofreu pesadas baixas. Tinha deixado de ser uma força naval efetiva. Em terra, uma chuva torrencial atrasou a investida de MacArthur, contra um exército japonês de cerca de 400 mil homens.

Em Fevereiro de 1945, três meses após o desembarque em Leyte, os americanos cercavam a capital das Filipinas, Manila. Pela primeira vez, na guerra do Pacífico, os americanos combatiam para entrar numa grande cidade. A batalha travou-se de rua a rua, de casa a casa. Muitos civis perderam a vida. Alguns executados pelos japoneses em retirada. O segundo momento de triunfo de MacArthur. O seu regresso à capital das Filipinas. Americanos feitos prisioneiros durante a invasão japonesa foram libertados, após três anos de cativeiro. Com a tomada das Filipinas, as rotas de abastecimento de materiais necessários à indústria japonesa seriam cortadas. O comando japonês sabia, ao perder as Filipinas, que tinha perdido a guerra. Depois da libertação, a vingança.
O ajuste de contas contra filipinos acusados de colaboração durante os anos da ocupação japonesa, chegava finalmente ao fim.

Fevereiro de 1945.

Iwo Jima, 13 km2 de rocha vulcânica, apenas a 600 milhas da costa do Japão, era o alvo do percurso seguinte, através do Pacífico Central. De Iwo Jima os bombardeiros americanos podiam atacar cidades japonesas, quase à discrição. Das alturas dominantes do Monte Suribachi, os japoneses vêem praticamente tudo o que se move em Iwo Jima. E de novo, as principais forças japonesas estavam no interior, afastadas das praias. Durante os 76 dias anteriores ao desembarque, os americanos bombardearam Iwo Jima, do mar e do ar. A desolação, a aridez do local, era, de fato, um pesadelo.
- Foi o mais parecido que vi com o inferno. Se o inferno se assemelha a algo, deve ser a Iwo Jima. No momento em que entramos naquelas lanchas sentimos medo. E sentimos medo até chegarmos à praia. Tomamos consciência de que vamos entrar a matar e fomos instruídos no sentido de matar ou sermos mortos.
Éramos nós ou os japoneses. Ou uns ou outros. E ao sermos confrontados com esta situação, quando se é um jovem, eu tinha apenas 19 anos, é confuso. Somos treinados nos Marines a receber ordens e a obedecer, mas também somos seres humanos e temos apenas 19 ou 20 anos. Naquela altura, a maior parte tinha 18, 19 ou 20 anos. As pessoas têm a idéia de que os Marines são super-homens, mas acho que não havia um Marine, naquela lancha de desembarque que não sentisse medo, incluindo os oficiais.

- Nos Marines, sempre nos ensinaram a odiá-los, a detestá-los e que eles eram animais. Nós éramos os homens, eles eram os animais. Mas também nos foi dito que eles morreriam pelo Imperador. Não nos ensinaram a morrer pelo nosso Presidente.
E lutar ou enfrentar um indivíduo que quer morrer, que não se importa de morrer, é um conflito difícil na nossa cabeça. Nós queríamos viver. Queríamos matá-lo e queríamos sobreviver.

- Tínhamos de baixar a cabeça, havia muitos projéteis a passar-nos por cima de nós, só pensávamos que alguém ia acertar-nos e estávamos longe para nadar com todo aquele equipamento. E onde íamos meter-nos quando chegássemos lá? Era um diabo de um lugar para se estar. Chegamos à ilha, vemos a cinza e que não há vida por ali. Aquilo era... Se há inferno, era aquilo.

- Chegamos à praia. Havia um pequeno declive e todos se juntaram lá, porque os bombardeamentos eram fortes, tudo o que chegava à praia era rapidamente atingido. Era um jovem naquela altura. Era a minha 4ª operação. Tinha 18 anos. Na primeira tinha 16 anos. Estavam lá posicionados à nossa espera e ritmicamente iam disparando contra todos os homens ao longo da linha de chegada.
Uma pessoa não conseguia evitar aquilo. A carnificina foi enorme.
Estávamos metidos numa teia e não havia modo de sair de lá. Não conseguíamos sair da praia. E chegar à praia, era um cenário deprimente. Ficávamos de rastos, quando começávamos a ver os nossos homens, da nossa própria equipe, mortos por ali. Entre a beira-mar e uma espécie de colina, havia uma quantidade enorme de corpos espalhados.

- Avançamos cerca de... Possivelmente, 300 metros. Tanto quanto os japoneses decidiram que avançaríamos. Não havia modo de deixarmos à ilha. Pelo menos, nessa primeira noite. Estava congestionada de mais. Nada conseguiria sair daquela ilha, na primeira noite. Abrindo trincheiras nas encostas do Monte Suribachi, o comandante japonês concentrou a sua artilharia.

O bombardeamento preliminar tinha falhado, na tentativa de destruir os redutos dos japoneses. Só podiam ser tomados, um de cada vez e pelos homens no terreno. Levaria muito mais tempo para controlar Iwo Jima, do que os cinco dias previstos pelo comando americano.
A vegetação tinha desaparecido completamente.

- Acordávamos de manhã e olhávamos para aquela extensão de terra de ninguém, que borbulhava e fervia com os vapores que saíam do terreno. Na verdade, tínhamos de utilizar o papelão das caixas de ração, para pôr nos abrigos, para não queimarmos o rabo. Se o inferno existe, atravessei-o naquela altura. Não vale a pena preocupar-me se vou parar ao inferno no futuro. Já lá estive.

- Um dos rapazes veio ter comigo, era um homem com família. Eu nem sequer o conhecia, só estive com ele nesse dia e disse-lhe:
"Temos um morteiro, estamos bem, não há problema." Antes do final do dia, ele e metade do meu pelotão estavam mortos. O pior foi tornarmo-nos insensíveis aos cadáveres, aos corpos inchados, mas isso não acontecia, quando se tratava dos nossos amigos.
Acho que foi o que aconteceu de mais terrível em Iwo Jima. Se todos recordassem a tragédia em pormenor, enlouqueciam. Não seriam capazes de ultrapassar aquilo.
- Pensamos sempre que vamos safar-nos. Estamos assustados, mas continuamos a pensar que nos vamos safar. Foi uma das maiores confusões a que jamais assisti. Não sei quem era o comandante, mas deve ter tido a missão mais arriscada de que já ouvi falar.

Pode ter sido confuso, na altura, mas a organização de apoio às tropas de ataque, foi à prova do que tornou inevitável a vitória da América sobre o Japão, desde Pearl Harbor: o seu esmagador poder industrial. Apenas uma coisa parecia dar alento aos homens.
Conseguir o ferimento que os levaria para longe daquele maldito lugar.

Para o interior, Iwo Jima tornou-se outra batalha de desgaste. Dia após dia, os americanos avançam pouco a pouco sobre os japoneses, que preferem morrer a render-se. Os seus chefes ainda esperavam que os americanos pudessem desanimar com as baixas e com a guerra.

- Meu Deus! Em Iwo foi uma luta corpo a corpo. Não sabíamos quem estava no buraco conosco, na maioria das vezes. Entrávamos nas grutas, perdemos a maior parte do nosso pessoal nestas situações. Entrávamos nas grutas e lutávamos com quem lá estava.
Só um de nós saía de lá. Acho que ninguém se apercebeu de que eles estavam nuns subterrâneos tão fundos. Estavam tão bem defendidos...

Após três dias de combate no Monte Suribachi, a bandeira esvoaçava no topo.

- Um dos rapazes começou a gritar: "Lá está a bandeira!" E de qualquer ponto daquela ilha víamos o cume do Suribachi e a bandeira içada. E toda a gente começou a gritar, porque calculamos que a ilha estava segura. Estava longe de estar segura. Tínhamos ainda um longo caminho a percorrer, mas era bom vermos a bandeira lá em cima.

- Disseram-nos sempre para fazermos prisioneiros, mas tivemos algumas más experiências em Saipan. Alguns prisioneiros assim que se apanhavam atrás das linhas, largavam granadas e nós perdíamos mais homens. Tínhamos renitência em fazer prisioneiros, já que estes lutavam até à morte, tal como nós. Muito poucos saíram de livre vontade. Quando o faziam, vinha normalmente um à frente, com as mãos no ar, e vinha um atrás, com uma granada.

- Um dos rapazes da Virgínia Ocidental, estava encostado a um muro de pedra com o capacete debaixo das pernas posição que adotávamos frequentemente, quando um inimigo correu por cima do muro, com uma pequena carga explosiva atada à barriga. Um bocado da parte inferior do tronco, rodou no ar e caiu-lhe nos joelhos e o traseiro completamente nu, mesmo em frente à cara.
Ele olhou para aquilo e disse: "Meu Deus, fui atingido e fiquei assim tão mal?" E aquilo aliviou a tensão da noite anterior. Muitos ficaram absolutamente apáticos, durante cerca de uma hora, ficamos deitados com convulsões.

Dos 21 mil militares japoneses que havia em Iwo Jima, no início do ataque, apenas 200 sobreviveram.

- Estive na ilha um total de 6 dias e pareceram-me 6 mil anos. Os aeródromos de Iwo Jima estavam operacionais, mesmo antes de a ilha ser tomada, graças aos Batalhões de engenharia americanos.
Eles tiveram um papel importante, não só aqui, como em toda a guerra do Pacífico.

Tinha chegado o momento de invadir o círculo interno da defesa do Japão. A 350 milhas do continente estava à última grande barreira, entre os Aliados e a invasão planeada do Japão Imperial: a ilha japonesa de Okinawa.

A 1 de Abril de 1945, os americanos atacaram. Os jovens pilotos suicidas do Japão, os Kamikaze, juntaram-se como um enxame para a defesa de Okinawa. Muitos voaram as suas missões fatais, em aviões obsoletos.

- Aconteciam tantas coisas e tão rapidamente, que era um pouco como estar num ringue de boxe, quando se é atingido no queixo, na cara, no corpo, por todo o lado. Estávamos a apanhar com eles por tantos ângulos diferentes. Num ataque normal, há sempre hipótese de ganhar ou de perder. Com bombas e balas normais, achamos que temos alguma hipótese. Mas a guerra não tem essa vertente desportiva, quando se luta contra bombas humanas.

Mais de 2 mil kamikaze encontraram a morte, mas destruíram 30 navios de guerra americanos e danificaram mais 200.

- Rezávamos para conseguir sobreviver, qualquer que fosse o tipo de explosão. A nossa vida passava-nos à frente muito rapidamente, porque não sabíamos se, dentro de segundos ou minutos, essa vida seria ceifada.

As baixas americanas foram tantas, que a certa altura, parecia que a invasão a Okinawa, devia ser interrompida abruptamente.

- Os artilheiros não conseguem parar, pois estão em plena luta, homem contra bomba-humana, mesmo já tendo abatido o avião, têm dificuldade em parar. Um homem estava no posto do canhão de 40 mm e já tinha combatido um grande número de aviões, mas também tínhamos sido atingidos na área dele. De repente, sem ninguém perceber o porquê, ele gritou: "Hoje está calor," saltou borda fora e foi a última vez que o vimos. Se tivesse ficado a bordo, talvez tivesse sobrevivido. Claro que nunca mais conseguimos encontrar o corpo. Foi uma reação um bocado estranha. Ele aguentou o tempo que conseguiu, até se ir abaixo e foi o fim da sua luta. Mas creio que todos os homens têm um ponto de ruptura. E os kamikazes, diria eu, testam esse ponto de ruptura, mais do que qualquer outra forma de combate.

O desembarque inicial em Okinawa não teve oposição, mas ao avançar, os americanos depararam-se com um exército japonês de 100 mil homens, reunidos numa área central profundamente fortificada. As encostas íngremes e as ravinas estreitas de Okinawa formaram uma fortaleza natural para os defensores japoneses. Excedendo em número os americanos, 2 para 1, fizeram pagar com sangue cada centímetro de solo japonês. Com o Japão prestes a render-se, nenhum soldado japonês queria lutar até ao fim. Os civis de Okinawa sofreram perdas terríveis. 24 mil foram mortos e muitos milhares foram feridos.

- Assim que descobriam que não íamos fazer o que sempre tinham ouvido, entendiam que éramos apenas outros seres humanos, e possivelmente sentiam o mesmo que nós, que não estávamos lá por querer. Disseram-nos que tínhamos de fazer aquilo. A muitos americanos, no final do seu enorme avanço pelo Pacífico, parecia agora que os animais, os fanáticos sem rosto, desejosos de morrer pelo seu imperador, eram seres humanos como eles. Eles também mostravam carinho pela sua própria gente. Nunca pensamos. Achávamos que eles não davam valor à vida, mas não é verdade. Mostravam muita bondade para com os seus feridos e até os carregavam às costas. Os feridos eram levados por dois ou três, embora eles próprios também estivessem fracos. Afinal, eram pessoas como nós.

 
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