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Numa época
em que a expressão Forças Especiais
ganha cada vez mais espaço, não
só entre os militares, mas também
na mídia, é interessante examinarmos
os feitos de uma das primeiras unidades militares
a agirem como tal.
Dentro da mística que envolve as Forças
Armadas Alemãs durante a II Guerra Mundial,
conhecemos os nomes de unidades famosas como o
Afrika-Korps, as temidas Waffen SS, as unidades
Panzer ( blindadas ) e os Fallschirmjaeger ( Pára-quedistas).
Porem fora do âmbito militar, quase ninguém
ouviu falar de uma das mais espetaculares unidades
militares da II Guerra, não ficando a dever
nada a seus companheiros mais famosos.
Trata-se do Regimento
Brandenburg, criado como braço armado da
Abwehr, o Serviço de Inteligência
Militar alemão, e com a finalidade especifica
de operar atrás das linhas inimigas, numa
mistura de comandos e unidades de sabotagem. Seus
sucessos tornaram-se lendas dentro do Exercito
Alemão e de outros que estudaram seus feitos.
Fundação
do Brandenburger Regiment Abwehr II 25 de Outubro
de 1939.
Desmobilização Oficial 11 de Setembro
de 1944
Quartel/General Berlin ( Generalfeldzeugmeister/Kaserne)
Unidades em Rathenow/Havel ( aerotransportados)
Admont/Stelemark (Montanha)
Swinemunde( raids fluviais e costeiros).
Pessoal 320 em Outubro de 1939
Divisão completa com várias unidades
independentes em 1944.
A expressão
Brandenburger ( homens de Brandenburgo ) é
usada aqui para designar uma unidade de forças
especiais do Exercito Alemão, que foi continuadamente
alterada em sua composição durante
sua curta historia.
Esta unidade tem
suas origens em diversas pequenas formações
secretas que operaram nos estágios iniciais
da guerra, notadamente nas invasões da
Tchecoeslováquia e da Polônia. Consistiam
principalmente de homens nascidos e criados em
minorias raciais alemãs nestes paises,
e operavam atrás das linhas inimigas, antes
da chegada das forças regulares.
Diferente das
Waffen SS, que buscavam a aparência superior
ariana, altos, louros e de olhos azuis, os Brandenburger
eram escolhidos justamente por características
físicas que não os fizessem chamar
a atenção em território inimigo.
A essência
de seu sucesso era principalmente a capacidade
de misturarem-se com a população
local, tornando-se invisíveis aos olhos
das forcas inimigas, o que permitia seu deslocamento
e o cumprimento de suas missões.
A forca impulsionadora
por trás da criação dos Brandenburger
foi o Almirante Wilhelm Canaris, chefe da Abwehr
( Serviço de Inteligência Militar
) que operava sob as ordens da Wehrmacht. O Abwehr
Abteilung II/Ausland, departamento responsável
por operações, inteligência
e sabotagem alem das fronteiras alemãs,
criou a Verwendung 800, (companhia de construção
e treinamento para missões especiais 800),
pouco antes do inicio das hostilidades, incorporando
homens de outras unidades e voluntários.
A unidade logo tornou-se uma valiosa ferramenta
para a Abwehr. O comando operacional continuava
nas mãos da Wehrmacht, embora muitos oficiais
transferidos para lá não tivessem
a mínima idéia do que era e o que
fazia a Verwendung 800.
No inicio, cada
membro deveria ser fluente em pelo menos uma língua
estrangeira, e treinado em operações
militares especiais.O treinamento era feito numa
área pertencente a Abwehr, perto de Berlin,
onde também eram treinados espiões
e sabotadores. O currículo concentrava-se
em línguas estrangeiras, demolições,
comunicações, penetração
em território inimigo em segredo, incluindo
por pára-quedas, e táticas de combate
de pequenas unidades. Mais tarde, surgiram cursos
de equitação, direção
e pilotagem. Familiarização com
armas incluía todas as armas não-alemãs,
desde pistolas a tanques Sherman e T-34. Alguns
homens eram pilotos, e numa ocasião na
África do Norte, usaram um Spitfire inglês
capturado para vôos de observação.
Outros receberam instrução especializada
nos laboratórios da Abwehr em Berlin-Tegel,
onde aprenderam a lidar com equipamentos secretos,
como detonadores de tempo, explosivos plásticos,
documentos falsificados, disfarces, etc.
Unidades Básicas
1.zbV Deutsche Kompanie - Formada por alemães
raciais, notadamente gente do Leste da Europa,
Sudetos e Silesia. Alem do alemão, deveriam
ser fluentes nos idiomas e dialetos falados nestas
regiões. Foram usados com sucesso na defesa
dos poços petrolíferos de Ploesti,
na Romênia, contra sabotagens aliadas.
2. zbV 800 Brandenburg - Alemães
raciais, possuía quatro companhias, um
pelotão de motociclistas, um pelotão
de pára-quedistas, e outras unidades especializadas,
como a Cia. Afegã, fluente em farsi, pushtu
e urdu.
3. BaltenKompanie - Alemães étnicos
da Estônia, Finlândia, Letônia,
Ucrânia e Rússia. Todos deviam falar
fluentemente o russo.
4. Cia formada por homens que tinham vivido fora
da Alemanha, especialmente na Península
Ibérica ou na África. Todos falavam
Inglês, Francês, Português ou
dialetos africanos, especialmente swahili.
5. Sudetendeutsche - Fluentes em tcheco.
6. Oberschlesier Kompanie- Fluentes em
polonês.
Mais tarde, foram
agregadas novas unidades, formadas por voluntários
ucranianos, alem de voluntários fluentes
em árabe e romeno.
Uma companhia
(a 15a) foi formada por 127 dos melhores esquiadores
da Alemanha, inclusive um Medalha de Ouro das
Olimpíadas de 1936, e recebeu treinamento
especializado para operar na extensa região
do Circulo Ártico, que forma a área
de fronteira russo-finlandesa, especialmente nas
cercanias do porto russo de Murmansk. Esta unidade
foi a responsável por um dos mais espetaculares
raids do Front Leste. Guiados por finlandeses,
os Brandenburger atravessaram os piores pântanos
da Europa, durante duas semanas, assolados por
milhões de mosquitos e outros insetos,
pesadamente carregados com armas, explosivos,
barcos e mantimentos, para atingirem a famosa
ferrovia de Murmansk, por onde escoava todo o
material de guerra enviado pelos Aliados aos russos.
Minaram a linha
numa dúzia de lugares, preparados para
explodirem aleatoriamente, durante uma semana,
o que forçou os russos a despenderem enormes
esforços em homens e material para manterem
a linha aberta. Quando os russos se deram conta
de que as explosões eram sabotagem, e não
acidentes, mandaram tropas da NKVD (antiga KGB)
para a região, e numa ocasião estes
abriram fogo indiscriminado contra uma multidão
de soldados russos e civis que tinham vindo ver
o que acontecia, por medo de sabotadores, causando
um verdadeiro massacre.
No verão
de 1942 foi criada uma companhia de raiders, para
operações fluviais e ribeirinhas,
formada por voluntários do Cáucaso.Sua
área de atuação eram os inúmeros
rios, lagos e córregos do Front Leste.
A Brigada Árabe lutou a partir de 1940
no Líbano, Síria, Iraque e Iran,
e mais tarde no Cáucaso, contra os russos,
com aliados curdos.
A Legião
Árabe operava basicamente na Tunísia,
contra os franceses.A partir de Maio de 1943,
surgiram a Legião Montenegrina e a Legião
Muçulmana, ambas formadas por Albaneses,
Bósnios, Macedônios e Montenegrinos
de fé islâmica. Combateu principalmente
nos Bálcãs, caçando guerrilheiros.
A Asad Índia
( Índia Livre ) era uma unidade de tamanho
regimento, formada por voluntários indianos
e prisioneiros de guerra. Treinada na Alemanha,
uma parte foi atuar na Índia contra os
ingleses, enquanto a outra serviu na Alemanha
em unidades antiaéreas.

1-Insígnia divisional do
batalhão
2-Insígnia da Compania Tropical Koenen
3-Insígnia Divisional de Veículos
- combinando a águia de Branderburg com
o capacete da Grossdeutschland Panzer Corps.
4-Insígnia do batalhão de paraquedistas.
Equipamento
No inicio, os Brandenburger foram equipados com
armamento já não mais utilizado
pela Wehrmacht. Usaram submetralhadoras Schmeisser
MP28/II e Steyr MP16, armas obsoletas para os
padrões da Wehrmacht. Mais adiante, quando
seu desempenho passou a ser notado, passaram a
receber armas e equipamentos conforme pedidos
especiais, como submetralhadoras MP40 e pistolas
equipadas com silenciadores. Preferiam as pistolas
Luger P.08 em lugar das mais modernas Walther
P.38, pois a precisão das P.08 era superior,
porém na prática usavam muito mais
equipamento inimigo do que propriamente alemão.
Especialmente
no front russo, onde as PPSh M41 russas e as Suomi
M.1931 finlandesas estavam sempre presentes, unidades
inteiras de Brandenburger eram armadas com equipamentos
inimigos.
Usaram também
submetralhadoras inglesas Sten Mk.IIS silenciadas,
capturadas dos estoques lançados pela RAF
para a resistência. Em missões de
longa penetração em território
inimigo, os homens recebiam uma pílula
de veneno, para evitarem a captura.
Operações
típicas incluíam reconhecimento
de longo alcance, destruição de
objetivos e proteção de centros
de comunicação,pontes e suprimentos,
como refinarias e depósitos. Eram também
usados para criar cabeças-de-ponte pela
inserção via terrestre, pára-quedas,
lanchas rápidas ou submarinos, além
de outras missões especificas, a critério
do comando. O homens normalmente operavam disfarçados,
usando roupas, armas e veículos do inimigo.
Os Brandenburger
foram usados todas as frentes onde os alemães
lutaram. Operaram na Dinamarca e Noruega, durante
a invasão destes paises; Finlândia,
em conjunto com tropas finlandesas, em alguns
dos mais espetaculares raids da guerra; na Espanha
( Plano Félix, a projetada tomada de Gibraltar
); Franca, Bélgica, Holanda, Inglaterra
( na preparação da abortada Operação
Seelowe); Itália, Grécia( especialmente
no ataque aerotransportado a Creta ); Romênia
( onde defenderam os poços e refinarias
de petróleo de Ploesti de sabotagem ),
Bulgária, Iugoslávia e Bálcãs,
Rússia, Líbia( como parte do Afrika-Korps),
Tunísia, Egito, Jordânia, Síria,
Iran ( fomentando um levante contra a ocupação
inglesa ), Iraque e outros paises do Oriente Médio,
Afeganistão,Índia e África
do Sul.
O tamanho das
unidades variava de acordo com a missão,
de grupos de 2 homens ate unidades de mais de
300 homens. Uma esquadra tinha doze homens. Métodos
de inserção variavam, alguns de
forma bizarra - o vôo da Cia. Afegã
(cerca de 20 homens) via avião comercial
neutro da Áustria ao Afeganistão,
levando cerca de duas toneladas de equipamento,
incluindo um canhão AA Flak 30 desmontado,
dentro de trinta malas diplomáticas !
Outra jogada interessante
foi a inserção em 1940 de cinco
homens via submarino na África do Sul,
para provocar um levante das tribos contra o domínio
branco.
Embora o Almirante
Canaris e outros lideres da Abwehr acreditassem
haver criado uma espécie de exercito privado,
logo se desiludiram - muitos membros desta unidade,
embora não necessariamente fanáticos
e leais a Hitler e sua ideologia nazista, eram
extremamente patrióticos e nacionalistas.
Inúmeros viviam no exterior quando a guerra
começou, e partiram para a Alemanha em
perigosas e aventurescas viagens, rompendo o bloqueio
marítimo inglês, apenas para servirem
seu Pais. Estes homens não eram leais ao
chefe da Abwehr, mas apenas a seu Pais e seus
comandantes de unidade. Lutaram pela Alemanha,
e não pelo Partido Nazista em geral ou
os desejos do Almirante Canaris, em particular.
Em 1943, quando a unidade foi elevada ao status
de divisão, sua missão foi mudada
para a de serem uma força sempre disponível,
pronta a resolver problemas urgentes e de difícil
sucesso, sob as ordens diretas do Alto Comando
do Exército (OKH).

Após o
fracassado atentado contra Hitler em 1944, as
operações da Abwehr foram delegadas
ao SD, pois rapidamente foi provado que o Almirante
Canaris estava envolvido. Em tempo, foi preso,
condenado e executado. Em setembro de 1944, decidiu-se
que a Divisão Brandenburger não
era mais necessária, sendo então
transformada numa simples divisão motorizada
da Wehrmacht, embora cerca de 1800 homens tivessem
se juntado a Otto Skorzeny e seu Jagdverbande,
unidade com missões similares aquelas da
Divisão Brandenburger. Alguns destes homens
estavam entre os da Brigada 150, que na ofensiva
das Ardenas foram enviados para missões
atrás das linhas aliadas, causando verdadeiro
caos, e criando a idéia, até hoje
não provada, de que tinham como missão
assassinar o General Eisenhower, Comandante-em-Chefe
Aliado na Europa. Eventualmente, foram capturados
e executados como espiões e sabotadores,
pois usavam uniforme aliado, o que lhes negava
o direito de apelarem para a Convenção
de Varsóvia sobre o tratamento de prisioneiros
de guerra.
Quando a guerra
terminou, alguns dos sobreviventes com bom domínio
de inglês foram absorvidos pelos Comandos
Britânicos, e receberam mais tarde documentos
britânicos. Muitos emigraram para a África,
a serviço dos ingleses, enquanto outros
juntaram-se à Legião Estrangeira
Francesa. Lutaram com bravura ao lado de seus
ex-inimigos, especialmente na Indochina e na Argélia.
A história
de seus feitos merece ser melhor contada, pois
suas teorias e experiências práticas
forneceram a base da formação de
modernas unidades de Forças Especiais,
como os SEALs da US Navy e muitos outros ao redor
do mundo.
Os russos, sempre
atentos às novidades, usaram muito do conhecimento
aprendido dos Brandenburger em missões
de " imersão " entre populações
estrangeiras, para criarem técnicas aplicadas
por suas famosas unidades Spetznaz.
Literatura recomendada
Twilight Warrios - 22Book, England
Corpos de Elite - Editora Abril
Agradecimentos a Defesa@Net -
www.defesanet.com.br
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